Mesmo alegando ‘não confiar’ em Israel, Síria pede retomada de negociações por acordo
A Síria espera que as negociações com Israel sobre um acordo de segurança sejam retomadas em breve e que levem à retirada israelense do território sírio, disse o ministro das Relações Exteriores, Asaad al-Shaibani, em entrevista à Reuters . No entanto, ele declarou que “não confiamos em Israel atualmente”.
“Acreditamos que deva haver contato, especialmente com uma parte que ameaça constantemente a segurança da Síria. Mas se esse contato não trouxer resultados, então não precisamos dele”, disse.
Em entrevista publicada neste domingo (23/08), o alto funcionário instou Tel Aviv a aproveitar uma “oportunidade histórica”, já que a porta para a diplomacia está aberta. De acordo com ele, a prioridade de Damasco é interromper os ataques israelenses , e afirmou que medidas de construção de confiança são necessárias nesse sentido.
Shaibani declarou que as negociações sobre o acordo de segurança já estavam congeladas desde o início da guerra com o Irã, mas esperava que fossem retomadas, acrescentando que o contato entre Síria e Israel foi interrompido após o ataque a Abu al-Duhur em 18 de agosto .
Shaibani afirmou que Damasco respeitava as preocupações de segurança de Israel, mas que Israel deveria respeitar as da Síria — incluindo o uso do seu espaço aéreo, os ataques aéreos e as prisões no sul —, e acrescentou que Israel bombardeou Abu al-Duhur mesmo depois de a Síria ter transmitido uma mensagem de que não se tratava de uma base turca .
O governo sírio de Ahmed al-Sharaa , que é um grande aliado dos EUA no Oriente Médio desde a queda de Assad em 2024 , vê Washington tentar firmar um acordo de segurança entre Tel Aviv e Damasco há mais de um ano, mas sem progresso devido à presença de tropas e ataques israelenses.
“Israel tentou manter sua segurança pela força bruta e não obteve sucesso em lugar nenhum”, disse Shaibani, mas acredita que “as negociações serão retomadas em breve”, embora nenhuma data tenha sido definida. “Os EUA estão tentando continuamente pressionar Israel para que retorne à mesa de negociações”, acrescentou.
Contudo, ele declarou que “é muito difícil apostar em Israel” e que, embora a Síria estenda a mão em busca de entendimento, paz e estabilidade regional, Damasco não viu vontade israelense de fechar um acordo.
O acordo incluiria diversas zonas de segurança em território sírio perto da fronteira com Israel, incluindo uma zona tampão onde apenas as Nações Unidas estariam presentes, e outras onde as forças sírias seriam mobilizadas em diferentes graus de força.
A prioridade agora é “impedir a agressão israelense mesmo antes de se chegar a um acordo de segurança”, disse Shaibani. “Só então talvez possamos abordar os temas da paz e das Colinas de Golã .”
Shaibani afirmou que ainda não havia acordo sobre o mecanismo, que, segundo ele, deve impedir ataques e abrir caminho para o acordo de segurança, em vez de “consolidar a ocupação israelense “.
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