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Josias Teófilo na Crusoé: A experiência do sagrado

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Josias Teófilo na Crusoé: A experiência do sagrado

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Ano passado, no Festival de Veneza, assisti a uma sessão às onze da noite do filme Elefantes Fantasmas , de Werner Herzog.

A sessão terminou próximo a uma da manhã e tive que voltar do Lido, onde acontece o festival – uma longa ilha na entrada da laguna de Veneza –, até o lugar onde estava hospedado.

No caminho, que envolve o vaporetto e longa caminhada, o celular descarregou e me perdi diversas vezes nas ruelas de Veneza, algumas delas sem saída.

O poeta Joseph Brodsky dizia que a única coisa mais fantástica do que uma cidade sobre a água seria uma cidade no ar.

Mas uma cidade no mar, não obstante ser a mais poética que existe, é muito pouco prática.

Veneza é ainda hoje uma cidade medieval, apesar dos acréscimos modernos. Ruelas, becos sem saída, ruas que dão para o canal, pátio de igrejas — isso tudo fez parte do caminho (e da minha perdição) naquela madrugada.

Fui tomado por certo medo. Não era medo de ser assaltado, como seria na madrugada de uma cidade brasileira. Era o medo do desconhecido.

Outras pessoas que estavam pela cidade àquela hora também tinham medo. Cada vez que encontrava alguém, a pessoa se assustava comigo e vice-versa.

Imagino as ruelas de Veneza antes da invenção da energia elétrica: a cidade sob a luz da Lua — ou, pior, sem a luz da Lua —, com canais que refletem o céu.

É preciso lembrar que, no passado, era possível ver muito mais estrelas e constelações do que hoje, exatamente pela falta da luz elétrica.

Os fenômenos da natureza eram ainda mais impressionantes, já que não havia barulho de máquinas (carros, trens, aviões, amplificadores sonoros): a chuva, o vento, o trovão, tudo isso soava ainda mais aterrorizante do que hoje. Do terror, nasce o sagrado.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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