Dino no Supremo Tribunal do Maranhão
Ministro carrega política provinciana para o STF e amplia degradação do tribunal ao decidir destino de aliados e adversários
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O Maranhão viveu um clima de esperança e renovação durante os dois governos de Flávio Dino (2015-2022, foto), após décadas de domínio da família Sarney no estado.
Mas a saída de Dino do Palácio dos Leões lançou a política maranhense numa disputa fratricida por poder, entre antigos aliados, da qual o ex-governador segue participando com protagonismo mesmo depois de assumir sua cadeira no Supremo Tribunal Federal ( STF ), no início de 2024.
O Antagonista aponta, desde a chegada do ex-ministro da Justiça de Lula ao STF, que ele atua sem constrangimento em casos que dizem respeito ao seu vasto passado político .
Dino não viu problema, por exemplo, em despachar sobre caso de indicação ao Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), e numa decisão que beneficiou seu antigo grupo político .
É pior: sua decisão nesse caso contrariou pareceres da Procuradoria-Geral da República ( PGR ) e da Advocacia-Geral da União ( AGU ), e a ação foi protocolada pelo partido Solidariedade , que, na época, era presidido por Flávia Alves Maciel , cunhada da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA), que ficou no lugar de Dino quando ele deixou o Senado para assumir o Ministério da Justiça.
A influência de Dino na política maranhense ficou mais clara ainda desde março, quando o ministro Alexandre de Moraes autorizou busca e apreensão contra o jornalista Luís Pablo , por denúncia de que o ex-governador do Maranhão usava irregularmente veículos do Tribunal de Justiça do estado.
Os ministros do STF enxergam perseguição, ou, mais precisamente, “stalking” , nessa reportagem.
Nesta semana, uma nova operação de busca e apreensão revelou que Moraes violou o sigilo da fonte de Luís Pablo, para chegar ao ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim , indicado como o responsável pelos dados da denúncia contra Dino.
Cutrim, que se diz “inimigo pessoal e político” de Dino, está detido em prisão domiciliar desde julho por ordem do próprio Dino, sob a suspeita de tentar atrapalhar as investigações de um homicídio ocorrido em 2022 e que tumultua desde então a política do Maranhão.
Esse caso chegou ao STF por suspeita de envolvimento do senador Weverton Rocha (PDT-MA), antigo aliado de Dino; e o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), outro ex-aliado do ministro do Supremo, também é apontado como suspeito no processo.
Brandão, cujo sobrinho Orleans Brandão (MDB) disputa o governo do Maranhão neste ano, contra, entre outros concorrentes, o vice-governador Felipe Camarão (PT), um pupilo de Dino, que o ministro do STF chegou a promover durante palestra no ano passado , reclamou na sexta-feira, 14, que o caso seja relatado no Supremo por um adversário político.
Dino derrubou na sexta o sigilo sobre essas investigações, que apontam o governador como “provável líder” de uma organização criminosa que teria atuado antes e depois do assassinato de João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira , em 2022.
“Falsas acusações não cabem a quem não tem culpa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.