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Lei Maria da Penha enfrenta onda negacionista nas redes

Folha de S.Paulo ·
Lei Maria da Penha enfrenta onda negacionista nas redes

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Quando eu era criança e minha mãe comprava um chapéu novo, passava a ver aquele chapéu em todo lugar. É uma analogia simplória para explicar por que, após escrever quatro matérias sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha , cheguei a pensar que estava exagerando ao enxergar uma onda negacionista.

Na primeira reportagem que escrevi sobre o tema, na sexta (7), leitores publicaram comentários nas redes sociais da Folha com termos como "lei da denunciação caluniosa", "lei seletiva" e "agenda woke". Na mesma linha, outros classificaram a legislação como "farsa" no espaço para comentários da entrevista de Bárbara Sá com Maria da Penha.

Aprovada em 2006, a lei foi uma resposta a recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Em 2001, ao analisar o caso de Maria da Penha, a comissão considerou o governo brasileiro negligente e omisso na proteção às mulheres.

Condenado em 1991, o economista colombiano Heredia recorreu em 1996, alegando que Maria da Penha fora atingida por um tiro durante um assalto. Condenado de novo, só foi preso em 2002, após 19 anos de luta judicial dela.

A versão de Heredia não se sustentou na delegacia e na Justiça, mas passou a ser replicada em redes sociais. O Ministério Público do Ceará concluiu no início deste ano que existe uma ação orquestrada para gerar ódio a Maria da Penha e desacreditar a lei que leva seu nome .

Segundo o órgão, há perseguições virtuais, notícias falsas e o uso de um laudo de exame de corpo de delito forjado para sustentar a inocência de Heredia.

Em 2023, o influenciador Alexandre Gonçalves de Paiva foi à antiga residência de Maria da Penha, em Fortaleza, onde ocorreu o crime. No local, ele e um advogado buscaram informações sobre o paradeiro da farmacêutica, conforme registrado em vídeo nas redes sociais.

A movimentação resultou no documentário "A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha", lançado em 2023 pela produtora Brasil Paralelo, dirigido por Marcus Vinícius Mantovanelli e editado e apresentado por Henrique Barros Lesina Zingano.

Em 2024, alvo de ameaças, Maria da Penha ganhou proteção do Estado. Segundo o governo federal, voltaram a circular fake news de que ela teria sofrido um assalto, e não sido vítima de tentativas de assassinato pelo então marido.

Isso me lembrou de uma fala de Maria da Penha sobre como lidar com a misoginia online e o ódio à mulher . Para ela, é preciso mais do que repressão. "Precisamos ensinar meninos a lidar com rejeição, frustração ou conflitos afetivos sem transformar as mulheres em inimigas."

No mesmo fim de semana em que essa onda negacionista apareceu nas redes, um homem se entregou à polícia após matar as próprias filhas, de 3 e 5 anos, na zona sul de São Paulo, para atingir a ex-mulher.

Encontrei essa mulher incrível em junho e acho que vocês precisam conhecê-la. Jerá Guarani, 45, é líder da aldeia Kalipety, no território indígena Tenondé Porã, em São Paulo.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.

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