Proposta da Federação Gaúcha de Futebol é um retrocesso, se a moda pega…
Proposta de reeleição ilimitada na Federação Gaúcha de Futebol acende o alerta sobre concentração de poder e coloca em debate a necessidade de alternância no comando das entidades esportivas
A alternância de poder é saudável em qualquer instituição. Permite renovação de ideias, oxigenação da gestão e, principalmente, impede que estruturas de comando se transformem em espaços de permanência pessoal.
Por isso, chama atenção a proposta da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) de alterar seu estatuto para permitir a reeleição ilimitada do presidente. Hoje, são permitidos apenas dois mandatos consecutivos.
É legítimo discutir a continuidade de uma gestão bem avaliada. Um dirigente que apresenta resultados, organiza a instituição e conquista a confiança dos filiados naturalmente pode defender a permanência. O problema começa quando se pretende retirar do estatuto qualquer limite para essa permanência.
Uma coisa é permitir que um bom trabalho tenha continuidade por um período razoável. Outra, completamente diferente, é transformar a possibilidade de permanecer no cargo em algo sem prazo definido.
Limites de mandato não existem para impedir bons gestores de trabalhar. Existem para preservar a própria instituição. A alternância cria a possibilidade de novas ideias, permite a chegada de diferentes grupos e reduz o risco de concentração de poder. Mesmo quando uma administração é eficiente, a instituição precisa ser maior do que qualquer dirigente.
O futebol brasileiro já convive há décadas com estruturas excessivamente concentradas , em que determinados grupos permanecem por longos períodos no comando de clubes, federações e entidades. Quando isso acontece, o processo eleitoral corre o risco de deixar de ser uma disputa de projetos para se transformar apenas na manutenção de uma estrutura já estabelecida.
E há uma questão ainda mais preocupante: o precedente. Se a mudança for aprovada no Rio Grande do Sul, nada impede que outras federações passem a enxergar a alteração como um modelo possível. O argumento será sempre parecido: se a gestão é boa, por que impedir sua continuidade? Mas a pergunta deveria ser outra: se a gestão é realmente boa, por que a instituição precisa eliminar o limite de mandatos para garantir sua continuidade?
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