O algoritmo conhece meu desejo?
Você já percebeu como, depois de pesquisar um produto, assistir a um vídeo ou curtir uma publicação, as redes sociais parecem saber exatamente o que mostrar em seguida? Essa capacidade dos algoritmos pode produzir a sensação de que somos profundamente conhecidos pela tecnologia.
Mas será que aquilo que o algoritmo prevê como nosso próximo clique é, de fato, aquilo que desejamos? E é justamente essa questão que pode ser pensada a partir da psicanálise.
Os algoritmos analisam dados, nossas curtidas, pesquisas, tempo de permanência em uma publicação, compras, compartilhamentos e inúmeros outros comportamentos.
A partir dessas informações, conseguem identificar padrões e fazer previsões bastante precisas sobre nossas preferências.
Entretanto, para Freud, o desejo não se limita àquilo que sabemos conscientemente querer.
Desde Freud, a psicanálise nos apresenta a ideia de que existe uma dimensão inconsciente que participa de nossas escolhas.
Sonhos, sintomas, atos falhos e repetições podem revelar algo que o próprio sujeito desconhece sobre si.
Há, portanto, uma diferença importante entre saber o que uma pessoa faz e compreender por que ela deseja aquilo que faz.
Já pensando em Lacan aprofunda essa questão ao relacionar o desejo à falta e à linguagem.
O desejo não é simplesmente a vontade de possuir um determinado objeto.
Ele se constitui na relação com o Outro e permanece em movimento justamente porque nenhum objeto consegue preenchê-lo completamente.
É nesse ponto que as redes sociais se tornam especialmente interessantes para a psicanálise.
O feed infinito, as notificações, os vídeos curtos e a sucessão constante de novos estímulos produzem pequenas doses de satisfação que rapidamente desaparecem.
Logo surge a necessidade de mais um vídeo, mais uma curtida, mais uma novidade.
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