Dirceu defende investigação sobre ministros do STF e pacto de Lula na crise
Uma das principais lideranças do PT, o ex-ministro José Dirceu defende que o presidente Lula seja "o fiador de uma saída" para a crise que se alastra no Supremo Tribunal Federal. Na opinião do petista, o presidente deveria liderar um pacto federativo para promover com urgência uma reforma no Judiciário, diante de uma crise que ele considera "inacreditável". Para Dirceu, há indícios graves contra o ministro Alexandre de Moraes, mas o ministro André Mendonça age com viés eleitoral.
"Alexandre de Moraes tem que responder. Há indícios de prevaricação, obstrução de justiça e corrupção passiva que precisam ser investigados. O presidente do Supremo deve determinar a investigação e cabe ao Senado, que tem essa atribuição constitucional, decidir. Não se trata de uma crise do Supremo. Estamos diante de uma crise institucional e de um desarranjo que precisa ser enfrentado pelas instituições", afirmou Dirceu em entrevista à coluna.
O ex-ministro diz que Mendonça também deve explicações: "Ele se engajou politicamente na campanha de Flávio Bolsonaro e, na minha avaliação, isso compromete sua posição. Também há questões envolvendo o Instituto Iter [fundado por Mendonça] e suas doações privadas que precisam ser esclarecidas".
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O ex-ministro defende ainda separar o papel que Alexandre de Moraes teve para contornar a tentativa de golpe. "Uma coisa é o apoio que a maioria da sociedade deu ao processo de julgamento dos golpistas e à condenação dos golpistas, apesar do peso que tinha a opinião pública bolsonarista. Outra coisa é você discutir o comportamento de qualquer cidadão brasileiro, seja ministro do Supremo, seja um de nós que já fomos processados e julgados nesse país."
Candidato a deputado federal por São Paulo, Dirceu está fazendo sua campanha de casa, por transmissões online e encontros virtuais. O ex-ministro acaba de tratar um câncer e foi aconselhado pelos médicos a evitar aglomerações, comícios, plenárias. O recolhimento é um preço pequeno a pagar, diz ele, que recebeu na última semana a notícia de que a doença estava debelada. No PT, sua candidatura é vista como uma das mais fortes no estado, com a expectativa de que ele seja um dos puxadores de votos da esquerda.
Antes de a crise no STF eclodir, ainda em junho passado, o ex-ministro petista José Dirceu já havia feito um pronunciamento no PT defendendo uma reforma do Judiciário, num movimento que deveria ser liderado pela Presidência da República, com os demais Poderes, e organizações como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Esta semana, a executiva nacional do partido seguiu na mesma linha, defendendo que se discuta, inclusive, a necessidade de mandatos para os magistrados das cortes superiores.
Para Dirceu, a crise no Supremo tem de ser separada da eleição, mas deve ser enfrentada pelo governo e pelos líderes políticos. E os envolvidos, magistrados ou não, precisam ser investigados. "Eu tenho autoridade moral para falar isso porque eu fui processado, condenado, cumpri pena, cumpri toda a pena, nunca me levantei contra o Supremo, contra o sistema de justiça brasileiro.
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