Síndrome de Cotard: a rara condição psiquiátrica que faz uma pessoa acreditar que está morta
No dia 2 de outubro de 2012, um paciente de 66 anos foi internado na enfermaria de psiquiatria do Hospital das Clínicas da UFPE.
O problema: quadro depressivo grave com sintomas psicóticos.
Até dois anos antes, o homem não havia tido histórico de problemas psiquiátricos — mas isso mudou quando ele levou um golpe de um cliente.
Aos médicos, declarou que estava morto e que “era um morto-vivo”.
Seus órgãos, disse, haviam se transformado em pedra.
O diagnóstico desse paciente foi uma condição extremamente rara na área da psiquiatria: a Síndrome de Cotard.
Esse problema é tão singular que não é classificado como um fenômeno independente nas duas principais referências internacionais para o diagnóstico de transtornos mentais: a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5) e a 10ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-10).
Em vez disso, os sintomas costumam ser classificados como “delírio niilista” decorrente de episódios depressivos.
Ainda assim, a Síndrome de Cotard existe.
Por ser rara, há poucos estudos a respeito e também poucos dados epidemiológicos.
Sabe-se que ela acomete com mais frequência (mas não unicamente) pessoas idosas e do sexo feminino.
Um estudo em Hong Kong apenas entre idosos gravemente deprimidos detectou Síndrome de Cotard em 3,2% deles.
Entre as pessoas com esquizofrenia , menos de 1% apresenta a condição.
Continua após a publicidade A Síndrome de Cotard recebeu esse nome em referência ao Dr.
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