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Bloco de gelo que despencou de geleira pode ser causa de inundação no Nepal

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Bloco de gelo que despencou de geleira pode ser causa de inundação no Nepal

Enchentes que deixaram centenas de mortos e desaparecidos no Nepal e no Tibete podem ter sido desencadeadas pelo rompimento de um grande bloco de gelo de uma geleira no Himalaia, segundo reportagem do New York Times.

Uma avalanche de gelo ajudou a provocar a cheia repentina registrada na manhã desta quarta-feira. Um grupo de geólogos e glaciologistas analisaram as imagens de satélite e descreveram o episódio como a queda de uma massa de gelo que se fragmentou ao descer até o fundo do vale.

O grupo estima que o rompimento ocorreu a cerca de 65 km ao norte de Katmandu e que o fluxo seguiu em direção ao rio Bhote Koshi, na fronteira com o Tibete. O bloco teria cerca de 600 m de largura e teria despencado de uma altitude próxima de 5.200 m, com queda de cerca de 1.200 m, segundo a avaliação.

Daniel Shugar, geólogo da Universidade de Calgary, do Canadá, disse que a geleira parece ter se rompido de forma abrupta. "Parece que uma geleira na área basicamente se rompeu em uma quebra limpa, permitindo que ela caísse pouco mais de um quilômetro vertical até o fundo do vale", afirmou em entrevista ao jornal americano New York Times.

O pesquisador relatou que o impacto deixou um grande depósito de detritos no local da queda. "O fundo parece que uma bomba explodiu, são apenas depósitos da geleira quebrada", disse.

O glaciologista Simon Cook avaliou que a energia acumulada no gelo em grande altitude aumenta o potencial destrutivo. "Este é um grande pedaço de gelo que fica armazenado em alta elevação na montanha, com uma enorme quantidade de energia potencial", afirmou.

Segundo Cook, a queda transforma o gelo em uma mistura rápida e perigosa de água e fragmentos. "Esse gelo simplesmente é pulverizado em água", disse.

Leituras sísmicas locais registraram um movimento brusco de massa por volta de 8h40 no horário local, seguido imediatamente por um sinal de fluxo associado a inundação. A geomorfóloga Kristen Cook, da Université Grenoble Alpes, disse que o padrão não se parece com o de um terremoto.

Para ela, a combinação de dados sísmicos, informações da área e imagens de satélite aponta para um evento que começou como avalanche de rocha e gelo. "Quando combinamos isso com o que sabemos sobre a área e imagens de satélite, chegamos a uma interpretação preliminar de que isso foi, muito provavelmente, uma avalanche de rocha e gelo que passou a ser um fluxo à medida que se movia rio abaixo", afirmou.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos chegou a registrar inicialmente um terremoto de magnitude 4,4 na região. Depois, a agência concluiu que o próprio deslizamento gerou o sinal sísmico e informou que a força do evento chegou a registrar magnitude 5,2 em seus sistemas.

Análises adicionais de ondas sísmicas de longo período indicam que a energia sísmica foi, na verdade, gerada por um deslizamento de terra. A localização do evento foi estimada a partir de imagens de satélite. Serviço Geológico dos EUA

Cientistas dizem que o aquecimento associado às mudanças climáticas pode ter acelerado o colapso da geleira, mas ainda é cedo para apontar uma causa precisa.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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