Ataques de Trump mostram que direitos humanos não são mais um consenso
Na sua cruzada contra o Brasil, o governo de Donaldo Trump tem avançado em múltiplas frentes , com tarifaços sobre os produtos brasileiros, a suspensão de visto da embaixadora brasileira , tentativas de aliciamento de jornalistas investigativos , além de encontros do Consulado com influencers de direita dispostos a questionar as urnas eletrônicas sem indícios de irregularidades.
No Brasil, as ações da extrema direita norte-americana encontram terreno fértil.
Um terreno eleitoralmente dividido, mas, ainda assim, fértil.
Os direitos humanos por aqui alcançaram as instituições e se entranharam nelas; contudo, parcelas expressivas da sociedade não os abraçaram.
Quando Bolsonaro e os seus avançaram vorazmente sobre as instituições e as políticas de direitos humanos no Brasil – seja para subverter seus valores, seja para desmontá-las –, houve quem se indignasse, mas mais ruidosos foram os aplausos e a indiferença daqueles que percebiam os direitos humanos como retórica vazia, promessa não cumprida.
Se o ataque à institucionalidade dos direitos humanos foi obra deliberada da extrema direita, a apatia coletiva diante desse processo lhe serviu de apoio, distribuída por diferentes camadas da sociedade.
Assim, os arroubos de Trump não nos falam apenas de matizes e matrizes da extrema direita global.
A facilidade com que a fachada humanitária de outros tempos foi descartada nos informa também sobre a posição rebaixada dos direitos humanos hoje .
Entendimento mínimo “Por que eles não cuidam do próprio povo em vez de meter o nariz aqui?” Foi assim que Ernesto Geisel, nosso penúltimo ditador, reagiu às primeiras investidas de Jimmy Carter no Brasil em nome dos direitos humanos.
Isso foi no fim do seu mandato (1974-1979), quando Carter era presidente dos Estados Unidos e os direitos humanos começavam a circular como gramática política no mundo.
Era uma época cindida pela Guerra Fria, e essa nova ideia surgia como uma espécie de entendimento mínimo entre atores de diferentes quadrantes da política.
As ideologias que queriam revolucionar as sociedades perdiam terreno e os direitos humanos nasciam modestos em suas ambições.
Já que não parecia possível decidir coletivamente como o mundo deveria ser, o arranjo possível se construía em torno dos males a evitar.
Na prática, uma receita mínima: não matar, não torturar, não desaparecer com pessoas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.intercept.com.br — o conteúdo pertence a Intercept Brasil.