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Política

No YouTube da PM de Tarcísio, câmeras corporais expõem vítimas e policiais e descumprem normas federais

Intercept Brasil ·
No YouTube da PM de Tarcísio, câmeras corporais expõem vítimas e policiais e descumprem normas federais

Mesmo descumprindo normas do Ministério da Justiça ao usar imagens de câmeras corporais para produzir conteúdo de entretenimento no YouTube, a Polícia Militar do Estado de São Paulo, a PMESP, recebeu mais de R$ 27 milhões do governo federal para ampliar o programa de uso dos equipamentos, sob a condição de obedecer às regras da União.

Ignorando suas próprias normas internas, a PM utiliza imagens das câmeras para publicar perseguições e outras operações policiais, expondo moradores, suspeitos e os próprios policiais em seu canal oficial.

No ano passado, de cada 10 vídeos postados pela instituição na plataforma, quatro continham deboche, humilhação ou espetacularização da violência.

Isso representa 72 dos 174 vídeos do ano, mostra levantamento exclusivo feito pelo Intercept Brasil .

Em 2016, menos de 1 em cada 50 vídeos adotava esse tipo de linguagem — apenas 2 entre 102.

O marco da virada de perfil foi outubro de 2023, no primeiro ano do governo de Tarcísio de Freitas, quando o Centro de Comunicação Social da PMESP, o CComSoc, capacitou 13 policiais militares num festival de audiovisual comercial, com dinheiro público e dispensa de licitação.

Na volta do evento, a liderança do grupo considerou que o treinamento permitiria “a incorporação de inovações” na forma como a Polícia Militar se comunica.

A análise do YouTube da PM paulista indica que essa suposta “inovação” inclui a adoção de chamadas como “Foi de arrasta” — gíria da internet para dizer que alguém morreu — e “Ativou 5 estrelas” — referência ao nível máximo de perseguição policial no jogo GTA, sigla para Grand Theft Auto, em que o personagem principal é um criminoso que tenta sobreviver e trabalhar no submundo de uma cidade fictícia.

“Quase encontrou Jesus” e “It, o ladrão trapalhão” são outras chamadas depreciativas que podem ser encontradas na página da instituição.

Vídeo mostrando perseguição que terminou com a prisão de dois suspeitos utiliza na capa gíria que significa morte de alguém.

Crédito: Reprodução.

A “datenização” do YouTube oficial da PM paulista é incentivada pela audiência.

Entre os 1.707 vídeos produzidos entre 2012 e 2025 analisados pelo Intercept, os classificados como agressivos tiveram, na mediana, 24 vezes mais visualizações do que conteúdos institucionais ou de prestação de serviço.

Hoje, quatro dos cinco vídeos mais vistos na história do canal são agressivos e, juntos, eles concentram 89% das visualizações do top 5.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.intercept.com.br — o conteúdo pertence a Intercept Brasil.

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