É possível derrotar o capitalismo?
Há décadas, as narrativas dominantes sobre este sistema em que vivemos o apresentam como o único possível: glorificado pelas direitas ou aceito com resignação por aqueles que se apresentam como seus adversários políticos, mas que apenas propõem introduzir algumas regulações episódicas e limitadas à tirania dos grandes capitalistas.
Às maiorias nos é reservado o consumo sob demanda de filmes e séries distópicas em plataformas de streaming monetizadas: ficções povoadas por personagens extravagantes que encarnam os ressentimentos de milhões, vinganças planejadas por heróis solitários ou futuros atrozes que nos convidam a aceitar, com resignação, o presente tal como é.
Então, é possível saltar o cerco desses sentidos estabelecidos, atravessar a fronteira que nos impõe esse discurso dominante e deixar a imaginação voar de verdade? É possível derrotar esse pessimismo que nos prefere conformistas, céticos ou cínicos e liberar a capacidade de projetar outra vida, outra sociedade, outras relações, que hoje estão enclausuradas? Podemos desafiar a cosmovisão das classes dominantes que se estabelece como o senso comum de toda a sociedade? Somos capazes de imaginar e fazer outros imaginarem a possibilidade de uma nova hegemonia impulsionada pela classe majoritária que move o mundo, encabeçando uma aliança com os setores das classes médias, com a juventude que se rebela, com os movimentos sociais que lutam contra as opressões e a depredação do planeta, para finalmente derrotar o capitalismo? Em diferentes momentos da história, também artistas, cientistas e até personalidades que vêm das classes acomodadas, mas renegam a ordem social que consideram repugnante, abraçam as revoluções que libertam também a criatividade e sensibilidade humanas.
Este texto é um trecho inédito do recém-lançado livro de Myriam Bregman ‘Moderada nunca’.
Somos de esquerda porque foi assim que a história batizou aqueles que carregam as bandeiras do novo, quando, na grande Revolução Francesa de 1789, a assembleia constituinte debatia calorosamente qual deveria ser o poder do rei Luís XVI.
E enquanto os nobres, o clero e os leais à coroa se sentavam à direita de quem presidia a assembleia, os assentos da esquerda eram ocupados pelos representantes do povo, que exigiam uma transformação radical.
Uma divisão espacial fortuita, cujo significado continua vigente: entre aqueles que querem conservar os privilégios das classes dominantes e aqueles como nós, que queremos revolucionar tudo.
Somos de esquerda porque, nessa vida que vivemos, imaginamos outra que realmente merece ser vivida e lutamos por ela.
Porque rejeitamos a destruição do planeta e que o desperdício de uns poucos se sustente na fome de milhões.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.intercept.com.br — o conteúdo pertence a Intercept Brasil.