Flávio implode o bolsonarismo
Carta desastrada em que se autoproclamou presidente e se comparou a figuras históricas abre a porta para a debandada de aliados
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Flávio Bolsonaro ganhou de Alexandre de Moraes a oportunidade de se fazer de vítima, e a jogou fora ao se autoproclamar presidente eleito do Brasil em carta publicada dos Estados Unidos .
A bobagem foi reconhecida com a publicação de outra versão mensagem, atualizada junto com a correção do brasão da República, na qual o título de “presidente eleito” foi substituído por “líder” .
A campanha de Lula foi de fato desleal, usou a máquina pública como nunca antes e ainda contou com o auxílio de ministros do Supremo Tribunal Federal ( STF ), porque o golpismo faz parte da política brasileira , muito além do bolsonarismo, como se costuma alegar.
Mas a campanha de Flávio praticamente não questionou formalmente o jogo sujo de Lula, como o reajuste do Bolsa Família e a aprovação da redução da escala 6×1, por medo de perder votos.
Os bolsonaristas enfraqueceram até o questionamento do malicioso adiamento do fechamento das urnas em duas horas, determinado pelo ministro Cristiano Zanin , ao fazer um pedido parecido ao Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) para cidades afetadas pelas chuvas.
Por mais que a eleição tenha decorrido com um claro desequilíbrio em favor do petista — e, ironicamente, seus aliados no STF querem dar a entender que o beneficiado teria sido Flávio —, o derrotado precisa fazer o jogo político de maneira minimamente hábil para não soar como vilão.
É exatamente o contrário do que o filho 01 de Jair Bolsonaro (a cabeça do boneco na foto) fez ao reivindicar a Presidência, com o requinte de se comparar a figuras histórias cujas reputações e valor histórico apenas diminuem o tamanho do senador derrotado, ao contrário do que pretendia.
No limite, a fuga para os Estados Unidos é compreensível, porque seu pai e seu irmão já foram condenados pelo mesmo juiz que o obrigou a entregar os passaportes, no prenúncio do que viria a ser sua própria prisão. Não é possível encarar Moraes como um ator desinteressado nesse caso.
O ministro do STF mais enrolado no caso do Banco Master atua para se defender de um processo de impeachment, e parecia buscar Flávio como refém para negociar com a bancada bolsonarista.
É de se questionar, agora, contudo, o que restou dessa bancada bolsonarista. O passo em falso de Flávio — mais um entre tantos ao longo de sua caminhada presidencial — se apresentou como ensejo para que aliados históricos começassem a se afastar.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confrontou a carta do senador e já admitiu que pode ser candidato a presidente em 2030 , rompendo as amarras do bolsonarismo.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também questionou a tentativa de Flávio de se impor como “presidente eleito” , e a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), que já tinha se insurgido contra os comandos dos filhos de Bolsonaro, cobrou autocrítica da direita .
O pastor Silas Malafaia chamou os filhos do ex-presidente de “jumentos” .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.