Quem não tem influência pode confiar na mesma Justiça dos poderosos?
Um homem pobre, acusado de um crime que não cometeu, pode perder quase tudo antes de conseguir provar a própria inocência.
Perde o emprego, a convivência com os filhos, a reputação.
Se estiver preso, cada dia de demora representa um pedaço de vida que nenhuma absolvição conseguirá devolver.
Imagine o que esse cidadão pensa ao acompanhar as revelações sobre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e suas conexões com diferentes esferas do poder.
De um lado, alguém que depende de conseguir atendimento, de que sua defesa seja ouvida, de que uma injustiça seja percebida a tempo.
Do outro, um empresário cercado de recursos, interlocutores e acesso a pessoas capazes de abrir portas que a maioria dos brasileiros sequer sabe onde ficam.
É nessa diferença que a promessa de igualdade perante a lei começa a perder sentido.
Quem tem dinheiro pode contratar equipes para acompanhar cada movimentação do processo, apresentar recursos e cobrar decisões.
Quem depende da assistência pública pode encontrar profissionais dedicados, mas sobrecarregados.
Sua liberdade corre o risco de disputar atenção com uma pilha de outros casos igualmente urgentes.
O direito de defesa precisa ser assegurado a todos.
A desigualdade está na capacidade de exercê-lo.
Para um, a demora provoca uma reunião com advogados.
Para outro, pode significar mais uma noite na cela, sem saber quando alguém voltará a olhar seu processo.
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