Lula: o limite entre a civilização e a barbárie
O linguista Émile Benveniste explica que a palavra “civilização” teve uma aparição tardia ao mostrar que antes outros termos como civiliser e civilisé imperavam na língua francesa.
O autor estuda o processo de formação de tal palavra através do seu relacionamento com o Iluminismo.
Com a ideia de progresso em vigor, o sufixo “ação” é incorporado às palavras para exprimir a ideia de movimento e de processo.
Assim, aparecem palavras como democratização , institucionalização , organização e outras. [1] O vocábulo civilização, que tem sua aparição em 1757, fazia parte dessa atmosfera linguística pré-revolucionária.
Benveniste aponta ainda outro elemento que irá complementar sua tese, assinalando que uma nova concepção de homem e sociedade passa a existir na segunda metade do século XVIII.
A passagem da barbárie para um nível superior era vista, neste momento, como uma gradação universal, por meio de um lento processo de educação e refinamento.
Desta forma, o termo estático civilité se torna inadequado para exprimir o que se queria dizer.
A palavra Civilização passa a ser utilizada para destacar uma ideia de continuidade, movimento e, finalmente, ação.
A partir deste momento, “civilização” torna-se um conceito adotado para designar o “abrandamento dos costumes, educação dos espíritos, desenvolvimento da polidez, cultura das artes e das ciências, crescimento do comércio e da indústria, aquisição das comodidades materiais de luxo”, [2] como assinala Jean Starobinski.
Por conseguinte, desencadeou-se uma ideia antitética assimétrica em relação ao conceito de barbárie.
No entender de Adauto Novaes, “a simples evocação da palavra civilização remete, necessariamente, a seu outro, que é a barbárie.
Pelo menos foi assim ao longo da história”. [3] Com o decorrer do tempo, principalmente depois que Franz Boas concebeu o relativismo cultural como princípio metodológico de investigação social, superando o etnocentrismo, a ideia de civilização deixa de significar superioridade e passa a ser “reconhecer plenamente a humanidade do outro” [4] , logo, barbárie, irá significar exatamente o oposto.
As eleições deste ano serão marcadas pelo conflito entre civilização e barbárie.
Quando Flávio Bolsonaro diz que pretende decretar – caso eleito – que o Brasil será um país do Senhor Jesus Cristo, um elemento da barbárie fica claro: considera-se o único grupo propriamente humano, recusa-se a conhecer algo fora de sua própria existência ou a oferecer algo aos outros.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.