O dia em que o Sol lançou uma tempestade tão forte que incendiou equipamentos na Terra
Em setembro de 1859, a Terra foi atingida pela maior tempestade solar registrada na história, conhecida como Evento Carrington.
O fenômeno causou auroras intensas e sobrecarregou a rede de telégrafos.
A corrente elétrica gerada na atmosfera fez os equipamentos soltarem faíscas e pegarem fogo em várias estações pelo mundo.
O episódio aconteceu quando a eletricidade ainda estava longe de fazer parte de praticamente todas as atividades humanas.
Naquela época, o telégrafo era uma das principais tecnologias de comunicação a longa distância.
Mesmo com uma infraestrutura muito mais simples que a atual, as consequências da tempestade foram impressionantes: correntes elétricas inesperadas percorreram os fios, provocaram descargas e chegaram a incendiar equipamentos em estações telegráficas.
Quais seriam os efeitos na Terra de uma tempestade solar como o Evento de Carrington? – Crédito: Naeblys – Shutterstock Sinais no Sol e faíscas na Terra De acordo com Marcelo Zurita , presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital , os primeiros sinais apareceram dias antes do evento principal.
“Em 28 de agosto, observadores identificaram diversas manchas solares, regiões mais frias da superfície do Sol associadas a campos magnéticos intensos.
Essas estruturas podem indicar áreas propícias a erupções solares, explosões que liberam grandes quantidades de energia e podem lançar partículas eletricamente carregadas pelo espaço”.
Em 29 de agosto, a Terra já recebia os efeitos de uma primeira perturbação solar, que produziu auroras e alterou o campo magnético do planeta.
Poucos dias depois, em 1º de setembro, os astrônomos Richard Carrington e Richard Hodgson observaram, de maneira independente, uma intensa erupção na superfície solar.
O registro foi um marco para o estudo da relação entre a atividade do Sol e os fenômenos magnéticos terrestres.
A explosão lançou material solar em direção à Terra.
Segundo Zurita, a nuvem de partículas e campos magnéticos chegou ao planeta em um intervalo excepcionalmente curto, intensificando a perturbação que já estava em andamento.
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