Em plena campanha eleitoral, Netanyahu escolhe Turquia como rival
Após mais de dois anos atacando seus numerosos inimigos no Oriente Médio, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em plena campanha eleitoral, apontou outro rival: a Turquia.
O bombardeio de terça-feira contra uma base militar desativada no norte da Síria, a poucos quilômetros da fronteira turca, cristalizou a tensão entre as duas potências.
Netanyahu afirmou que a Turquia estava tentando estabelecer uma presença militar na região e que, depois de ignorar as advertências de Israel, os israelenses "se asseguraram de que eles entenderam melhor a mensagem".
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, também aumentou a pressão ao escrever nesta quinta-feira no X que o presidente Recep Tayyip Erdogan "está arrastando a Turquia para uma aventura perigosa na Síria".
A Turquia reagiu às declarações e negou nesta quinta-feira ter "qualquer delegação militar" naquele aeroporto sírio "antes ou durante o ataque de Israel", segundo o Ministério da Defesa.
Historicamente, o interesse turco na Síria tem se concentrado em impedir a atividade armada curda, que costumava usar o norte do país como base para seus ataques na Turquia.
Mais recentemente, Ancara também apoiou o novo líder Ahmed al Sharaa, um ex-jihadista cujos homens depuseram, no fim de 2024, o presidente Bashar al Assad após uma longa e sangrenta guerra civil.
O Likud, partido de direita de Netanyahu que disputa as eleições legislativas de 27 de outubro, transformou essa rivalidade em argumento oficial de campanha.
Em um dos cartazes exibidos, Erdogan aparece ao lado do chefe do Hezbollah, Naim Qasem, do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, e do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani: "Eles querem que Netanyahu perca. Não deixe que eles ganhem", diz o slogan.
Erdogan criticou reiteradamente a campanha militar israelense em Gaza após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023.
Mas, diferentemente de outros países atacados por Netanyahu, como o Irã, a Turquia tem aliados muito poderosos.
O país é membro da Otan, e o próprio Erdogan mantém uma relação calorosa com o presidente americano, Donald Trump, cujo embaixador em Ancara, Tom Barrack, criticou Israel pelo recente bombardeio contra a base militar na Síria.
A relação de Ancara com Israel também tem nuances. A Turquia foi o primeiro país muçulmano a reconhecer o Estado de Israel, e ambos mantiveram uma relação comercial robusta, embora Ancara tenha ameaçado, durante a guerra de Gaza, interromper as trocas comerciais.
Yair Golan, líder do partido israelense de centro-esquerda Democratas, disse que o ataque à base síria foi "provocador e perigoso". "Nos aproxima ainda mais de um confronto com a Turquia e aumenta a distância em relação aos nossos aliados, começando pelos Estados Unidos", afirmou.
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