Tarcísio rechaça “carta” de Flávio Bolsonaro e diz que “respeita resultado das urnas”
A tentativa do senador Flávio Bolsonaro (PL) de se autoproclamar “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” em uma carta aberta publicada diretamente dos EUA, onde está foragido, desencadeou uma reação imediata e um definitivo rearranjo na extrema direita brasileira.
A investida, enviada pelo parlamentar derrotado nas urnas após sua fuga para o território norte-americano, foi categoricamente rechaçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Reeleito no comando do mais rico e populoso estado do país, Tarcísio marcou uma distância cristalina do manifesto golpista, repudiou as insinuações sobre o pleito e enfatizou a necessidade imperativa de aceitar o veredito democrático emitido pelo eleitorado.
O movimento do governador paulista ocorre no momento em que a retórica da família Bolsonaro atinge níveis inéditos de isolamento.
Enquanto Flávio recorre a acusações sem respaldo sobre o processo de votação diretamente de seu refúgio nos EUA, Tarcísio tenta se posicionar como a principal liderança institucional e mais pragmática do campo reacionário, capitalizando o esvaziamento político do clã e pavimentando seu espaço como o nome incontornável da oposição para os próximos anos.
R ecuo do “presidente” e o contra-ataque institucional A crise na direita aprofundou-se nesta quarta-feira (28), quando Flávio Bolsonaro publicou a rocambolesca carta em suas redes sociais alegando ter sido testemunha de uma “fraude eleitoral” na noite do segundo turno.
Na versão original do texto, escrita do exterior, o senador chegou ao extremo de se autodeclarar o legítimo chefe de Estado do país.
O desgaste provocado pelo tom golpista do manifesto, contudo, forçou o parlamentar a apagar a publicação original poucas horas depois, substituindo a autoatribuição do cargo por uma fórmula mais amenizada, em que passou a definir-se apenas como “líder do Brasil”.
A resposta de Tarcísio de Freitas veio de forma rápida e calculada através de uma nota enviada à imprensa.
Sem poupar o aliado no campo estratégico, o governador de São Paulo fez questão de fechar as portas para aventuras extra-institucionais, chancelando a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ratificada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com mais de 64,2 milhões de votos e reconhecida por observadores internacionais e por lideranças do próprio Partido Liberal (PL).
“ A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente.
Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também.
Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente.
O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel ”, disse Tarcísio de Freitas , governador do Estado de São Paulo.
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