Paulo Freire, 105 anos: a esperança como método
Por Aldemar dos Santos Maciel — Fórum Acreano de Jovens e Adultos Nesta sexta-feira, 19 de setembro de 2026, Paulo Freire completaria 105 anos.
Nascido em Recife em 1921, numa família empobrecida pela crise de 1929, encontrou na educação o caminho para devolver dignidade a quem a vida havia posto à margem.
Formado em Direito, jamais advogou: preferiu ensinar.
Em 1963, no Rio Grande do Norte, alfabetizou 300 trabalhadores em 45 dias — experiência que deu origem ao método que revolucionaria a educação de jovens e adultos no Brasil e no mundo.
Preso e exilado pela ditadura militar em 1964, viveu 16 anos fora do país.
Foi nesse período que sua obra ganhou projeção internacional: em 1969 tornou-se professor visitante na Universidade de Harvard, e depois passou dez anos em Genebra, no Conselho Mundial de Igrejas, atuando em projetos educativos em mais de trinta países.
Autor de mais de 40 livros, Freire segue sendo estudado e citado em Harvard e em centenas de universidades ao redor do mundo — “Pedagogia do Oprimido” (1968) figura entre as obras mais referenciadas da história das humanidades.
Em 2012, o Brasil oficializou o reconhecimento a essa trajetória: pela Lei nº 12.612, o Congresso Nacional declarou Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira.
Sua proposta pedagógica nasce de uma crítica direta: a chamada “educação bancária”, em que o professor deposita conteúdo e o aluno apenas memoriza, sem espaço para pensar criticamente o mundo.
Contra esse modelo, Freire defendia uma educação dialógica e libertadora, em que ensinar e aprender caminham juntos e o aluno se torna sujeito — não depósito — do próprio conhecimento.
“A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem”, escreveu.
E também: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Passados mais de sessenta anos daquela experiência em Angicos, a realidade da educação brasileira — e da EJA no Acre, em particular — ainda carrega as marcas que Freire denunciou: evasão, currículos distantes da vida do aluno trabalhador, escolas sem estrutura para o diálogo que sua pedagogia exige.
Mas é justamente aí que sua obra segue viva como tarefa, não como memória.
Freire acreditava que, mesmo em tempos difíceis, “manter a esperança viva é em si um ato revolucionário”.
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