Irã diz que não houve progresso em acordo com os EUA e descarta prorrogação
Irã e EUA seguem sem progresso sobre como retomar o cessar-fogo provisório anunciado em junho para encerrar a guerra no Golfo.
Autoridades iranianas dizem que as conversas mediadas para reativar o acordo provisório não avançaram. "Uma das questões que está sendo discutida por meio de mediadores é o retorno dos EUA ao acordo provisório e a definição de um cronograma para a implementação dos compromissos. Não houve absolutamente nenhum progresso nessa questão", afirmou uma fonte iraniana à Reuters
A declaração veio no mesmo dia em que Donald Trump voltou a atacar a liderança iraniana após novos incidentes com navios na região. "O Irã só fala e não age, o valentão do Oriente Médio não existe mais", escreveu o presidente dos EUA na rede Truth Social.
Washington e Teerã trocam acusações sobre o cumprimento do que foi combinado para reabrir o Estreito de Hormuz. Os EUA dizem que o Irã descumpriu o pacto, enquanto o governo iraniano afirma que os americanos não cumpriram compromissos como aliviar restrições a portos do país e liberar ativos congelados —que seriam pré-requisitos.
Trump também afirmou que os EUA têm "controle total" sobre a via marítima. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, órgão criado pelo Irã para administrar a hidrovia, disse que a passagem segue bloqueada e só será reaberta se as condições de Teerã forem aceitas.
O acordo provisório de junho previa um cessar-fogo por 60 dias, com possibilidade de extensão por consenso. Nesse período, Irã e EUA deveriam negociar um entendimento final que limitasse o programa nuclear iraniano e suspendesse sanções americanas.
A fonte iraniana negou que haja negociação para estender o prazo do cessar-fogo. "Não se fala em prorrogação porque, da perspectiva do Irã, não há um período que tenha começado e, portanto, nada a prorrogar. Os Estados Unidos violaram o acordo provisório 48 horas após sua assinatura e se retiraram dele poucos dias depois", disse à agência.
O pacto anunciado em junho já havia sido colocado em dúvida em julho, com declarações contraditórias dos dois lados. Trump disse em 7 de julho que o acordo estava "encerrado", e o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou uma semana depois que ele estava "suspenso".
O Estreito de Ormuz é uma rota central para o mercado de energia e respondia por cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra. A escalada do conflito e o bloqueio da passagem alimentaram a volatilidade do preço do petróleo desde fevereiro.
Na terça-feira, ataques e ações militares voltaram a atingir embarcações em pontos estratégicos da região. Um suposto ataque dos Houthis a uma pequena embarcação de carga matou quatro tripulantes no Estreito de Bab el-Mandeb, e um helicóptero MH-60 da Marinha dos EUA disparou mísseis para desativar o leme de um navio de carga com bandeira do Panamá, informou o Exército americano.
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