Bets ilegais são o esgoto do mundo, mas o Brasil deixa o cano aberto
Se já vivemos uma epidemia de vício com as bets legalizadas, que precisam seguir (insuficientes) regras estabelecidas pelo Estado, a situação daquelas que operam nas sombras a partir do exterior, burlando a lei e roubando o máximo de cascalho dos brasileiros no menor espaço de tempo possível, é um desespero.
De forma muito mais violenta, esse pessoal sorridente forma um exército com o objetivo de pilhagem, principalmente dos mais jovens e mais pobres. As empresas clandestinas que eles representam atropelam limites impostos ao dinheiro do Bolsa Família ou a quem está com a corda no pescoço, apelando ao Desenrola. Basta uma zapeada nas redes abertas para encontrá-los.
Essas casas de apostas ilegais admitem o uso de cartões de crédito, e não o Pix, o que facilita o endividamento. Não põem travas, pelo contrário, estimulam o vício. Isso sem contar que a chance de ganhar com os caça-níqueis deles é ridicularmente menor.
Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário não podem assistir de camarote a esse cassino clandestino devorar salários, famílias e futuros. Se as bets ilegais são o esgoto do mundo, cabe ao Brasil fechar o cano e cobrar caro de quem lucra despejando essa imundície sobre os mais vulneráveis.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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