Proteger a água é preparar o território para um clima em transformação
Aágua talvez seja o elemento que torne mais visíveis os efeitos das mudanças climáticas na vida cotidiana.
Períodos prolongados de estiagem, chuvas concentradas e intensas, enchentes, alterações na disponibilidade dos recursos hídricos e pressões crescentes sobre o abastecimento mostram que a crise climática não se manifesta apenas pelo aumento da temperatura média do planeta.
Ela chega às cidades, ao campo e às casas pela água, pela falta, pelo excesso ou pela deterioração de sua qualidade.
Essa relação deverá ocupar espaço importante nas discussões que antecedem a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia.
A conferência chega em um momento no qual o debate climático internacional procura avançar na definição de compromissos para sua implementação.
Adaptação, resiliência das cidades, segurança alimentar, infraestrutura, conservação dos ecossistemas e segurança hídrica passam, portanto, a fazer parte de uma mesma equação.
Os dados científicos ajudam a compreender a dimensão desse desafio.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) estima que aproximadamente metade da população mundial enfrenta escassez severa de água durante pelo menos parte do ano, considerando fatores climáticos e não climáticos.
O organismo também aponta que as mudanças climáticas provocadas pela atividade humana estão intensificando o ciclo hidrológico e agravando vulnerabilidades já existentes.
Cerca de 60% das intervenções de adaptação analisadas pelo IPCC surgem em resposta a riscos relacionados à água.
Essa constatação modifica a maneira como devemos compreender a gestão dos recursos hídricos.
Cuidar da água não significa apenas garantir o abastecimento.
Significa proteger o território no qual ela circula, recuperar ecossistemas, conservar o solo, preservar a vegetação, melhorar a infiltração, proteger rios e aquíferos e preparar cidades e áreas rurais para eventos climáticos cada vez mais extremos.
No Estado de São Paulo, essa discussão tem uma história que merece ser rememorada.
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