Operadores condenados pela Lava Jato criaram ‘banco do crime’ para lavar dinheiro do PCC, diz MP
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 19 pessoas acusadas de montar uma estrutura financeira clandestina que funcionava como um “banco do crime” para integrantes e colaboradores do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a denúncia, o esquema reuniu operadores financeiros com histórico em outros grandes casos de lavagem de dinheiro e integrantes ligados ao tráfico de drogas.
Entre os denunciados estão Leonardo Meirelles, Raphael Flores Rodriguez, o “Batata”, e a contadora Meire Bonfim da Silva Poza, personagens que aparecem em investigações anteriores, incluindo a Operação Lava Jato.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirma que Cléber Azevedo dos Santos, Leonardo Meirelles e Paulo Rogério Silva, o “Paulo Barão”, estavam no centro da estrutura financeira.
Segundo a denúncia, os três são operadores implicados em diferentes investigações e ações penais e movimentaram “quantias bilionárias” ao longo de suas atividades.
Para o MP, a estrutura funcionava como uma central de serviços financeiros ilícitos, um “verdadeiro Banco do Crime”, colocada à disposição de integrantes do PCC para esconder a origem e a propriedade de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e de outros crimes.
Os integrantes do esquema são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros delitos, a depender da atuação individual de cada denunciado.
O MP também pede que os acusados paguem solidariamente indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e sociais.
Quem são os denunciados: Cléber Azevedo dos Santos Paulo Rogério Silva (vulgo “Paulo Barão”) Leonardo Meirelles (foragido) Meire Bomfim da Silva Poza Robson Martins de Souza Antônio Carlos Ubaldo Júnior Bruno Ramos Fernandes Odair Alves da Silveira Filho Alexandre Viriato da Silva (vulgo “Gordão”) André de Souza Haddad (vulgo “Minhoca”) Antônio Carlos Sampaio (vulgos “Kaká” ou “Compadre”, foragido) Danillo Vinícius da Silva Rosário (vulgo “Brigadeiro”) Leonardo Monteiro Moja (vulgo “Léo do Moinho”) Alexandre Salles Brito (vulgo “Buiú”) Raphael Flores Rodriguez (vulgo “Batata”, foragido) Amjad Ahmad (vulgo “Amin”, foragido) Jacqueline Cavalcante Brito Marcelo de Morais Oliveira Marlon Antonio Fontana Dinheiro vivo virava transferência bancária De acordo com a denúncia, a estrutura funcionou ao menos entre 2019 e 2025 e utilizava empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e “laranjas” para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Um dos principais serviços era a chamada “troca de TED por vivo”.
Segundo o MP, o grupo recebia dinheiro em espécie que sabia ter origem ilícita e, mediante o pagamento de uma comissão, realizava uma transferência bancária de valor correspondente por meio de contas próprias, de laranjas ou de empresas de fachada.
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