Governo espanhol pede calma e condena novos incidentes violentos em Ceuta contra migrantes
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou nesta sexta-feira (28) que "a violência não é a solução" em Ceuta, após os incidentes registrados na quinta-feira, quando protestos relacionados à segurança ganharam intensidade. Moradores do enclave espanhol no Norte da África tentaram impedir a entrada de veículos da Cruz Vermelha e entraram em confronto com a polícia, quase um mês depois da chegada em massa de migrantes do Marrocos.
"Faço um apelo à calma e ao fim de todas as formas de violência, porque (...) a violência não é a solução para resolver um problema tão complexo" como o que afeta o pequeno território espanhol de 18,5 quilômetros quadrados no Norte da África, declarou Grande-Marlaska ao Parlamento, em Madri.
"Ninguém pode nem deve fazer justiça com as próprias mãos", afirmou também nesta sexta-feira Juan Vivas, presidente do governo local de Ceuta, do Partido Popular (PP), de direita. Em uma declaração solene, ele rejeitou "nos termos mais veementes o uso de qualquer forma de violência", ao mesmo tempo em que considerou "legítimos e totalmente justificados" os protestos que defendem o "retorno à normalidade" no enclave.
Ceuta vive seus momentos de maior tensão nas últimas semanas desde a chegada em massa de cerca de 80 mil pessoas vindas do Marrocos nos dias 30 e 31 de julho.
Embora a maioria já tenha deixado o território, parte dos migrantes, cerca de 5 mil segundo o governo central de esquerda e 10 mil de acordo com as autoridades de Ceuta, permanece no enclave, que tem aproximadamente 80 mil habitantes. Muitos circulam pelas ruas e dormem em acampamentos improvisados ou nas praias.
Os protestos dos moradores, que exigem a saída dos migrantes e alegam preocupações com a segurança, intensificaram-se nos últimos dias.
Na quinta-feira, parte do acampamento de migrantes instalado na Praia de Benítez, onde muitos ainda viviam em barracas, foi incendiada.
Pouco antes, cerca de cem manifestantes com bandeiras da Espanha bloquearam caminhões da Cruz Vermelha que chegavam para distribuir água e alimentos na vizinha Praia de Trampolín. A organização humanitária conseguiu acessar a área por uma rota alternativa após a intervenção da polícia.
Também na quinta-feira, doze marroquinos foram detidos após lançarem pedras contra um veículo que transportava quatro soldados espanhóis. Um dos militares ficou ferido em meio ao aumento da tensão. Apesar dos confrontos, a noite de quinta transcorreu sem novos incidentes.
Tanto o governo de Ceuta quanto o governo central condenaram os episódios de violência. Já o PP, principal partido de oposição, considera os acontecimentos uma "consequência de um governo irresponsável".
Em discurso aos parlamentares, Fernando Grande-Marlaska criticou duramente a direita e a extrema direita, acusando esses setores de disseminar desinformação, "tentar obter capital político com a situação ou, pior ainda, incitar o ódio e o confronto entre as pessoas nas ruas de Ceuta".
A direita e a extrema direita defendem a repatriação de todos os migrantes que ainda permanecem em Ceuta .
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