Prefeita de Oslo adia o próprio casamento após morte do rei Harald 5º
A prefeita de Oslo, Anne Lindboe, adiou o próprio casamento após a morte do rei Harald 5º.
"Nós vamos nos casar", contou em uma publicação no dia 10 daquele mês. Ela relatou ter sido pedida em casamento em uma montanha em Kzerkeberget e enfatizou também a questão da idade: "Não pensei que fosse acontecer aos 50 anos, mas sinto-me como uma adolescente de 14 apaixonada".
Local do pedido foi simbólico para o casal, que gosta de escaladas. Eles completaram exigentes expedições em montanhas e no verão de 2025 subiram no Mont Blanc, a montanha mais alta da Europa Ocidental.
Em uma homenagem publicada no Instagram, Lindboe lamentou a morte do rei e disse que o país perde uma referência. "É difícil imaginar uma Oslo e uma Noruega sem você. Você não precisava de uma multidão para ser Rei", escreveu na legenda de uma foto com ele.
A prefeita também destacou a proximidade simbólica que o rei tinha com a população, mesmo para quem nunca o encontrou. "Mesmo a maioria dos noruegueses que nunca o conheceram pessoalmente ainda sentiam que o conheciam", afirmou.
O rei morreu um dia antes de completar 58 anos de casamento com a rainha Sonja. Ela e o príncipe herdeiro Haakon cancelaram compromissos oficiais para permanecer ao lado do rei. O palácio havia informado no domingo que Harald recebia antibióticos contra uma infecção bacteriana no sangue e apresentava quadro estável.
O príncipe herdeiro Haakon, de 53 anos, é o sucessor ao trono norueguês e já atuava como regente do pai. Harald deixa a esposa, a rainha Sonja, a princesa Märtha Louise, Haakon e cinco netos.
Harald assumiu o trono em 1991, após a morte de seu pai, o rei Olav. Ele nasceu em Skaugum, na Noruega, em 1937, e passou parte da infância nos Estados Unidos depois que a família real deixou o país durante a invasão alemã de 1940.
O rei estudou em escolas militares norueguesas e cursou ciências sociais, história e economia na Universidade de Oxford entre 1960 e 1962. Em 1968, ainda como príncipe herdeiro, casou-se com Sonja Haraldsen, uma plebeia, em uma decisão que rompeu a tradição da realeza europeia.
Apaixonado pela natureza, Harald viveu com os yanomami na Amazônia brasileira. Aos 76 anos, ele realizou o sonho de passar quatro dias na selva, dormindo em uma rede na aldeia.
Harald se destacou por modernizar a imagem da realeza. Defensor da abertura da coroa, ele disse à agência Reuters: "Se você abriu o portão, é muito difícil fechá-lo novamente".
O rei era conhecido por consolar a nação em tragédias e desastres naturais. Ele confortou os cidadãos após os atentados terroristas de 2011, afirmando com emoção que "a liberdade é mais forte que o medo".
Em 2017, Harald defendeu os direitos LGBT+ e os refugiados em um discurso diante do Palácio Real, em Oslo. "Noruegueses são meninas que amam meninas, meninos que amam meninos e meninos e meninas que amam uns aos outros", declarou.
O rei também falou sobre pertencimento e convivência no país. "Minha maior esperança para a Noruega é que consigamos cuidar uns dos outros, que possamos construir este país com base na confiança, na solidariedade e na generosidade", disse.
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