Ceuta e a pressão migratória como arma de guerra
No final de julho, entre os dias 30 e 31, Ceuta, cidade da Espanha situada na margem africana, foi invadida por mais de 50 mil imigrantes, em sua maioria marroquinos, causando uma crise migratória.
No programa “A Fórum Te Conta” , a jornalista Ana Prestes explicou como essa pressão migratória tem funcionado como uma arma de guerra não só nesse caso, mas ao redor do mundo.
No episódio da última terça-feira (4), a jornalista se dedica a explicar as razões geopolíticas para o que aconteceu em Ceuta.
Ela destaca que a região tem uma posição estratégica ao se localizar em uma verdadeira passagem de ouro entre o Mar Mediterraneo e Atlântico, onde passa petróleo, gás, mercadorias, exportações, estrutura logística da OTAN e comunicação.
Portanto, a jornalista destaca que a entrada de tantas pessoas em Ceuta não ocorre dentro de um vazio político, mas pelo contrário.
Dentre os fatores que explicam a crise migratória, estão o fato do Marrocos estar exercendo uma função importante no controle das fronteiras externas da União Europeia e estar colaborando com o bloco, com os Estados, com a OTAN e com Israel em diversas frentes.
Prestes afirma que, portanto, Marrocos ganhou o poder de polícia de fronteira – o que dá ao país um lugar destacado nessa relação com a União Europeia – e que isso virou um instrumento de pressão política e arma de guerra.
“Essa pressão migrante, essa pressão por uma tensão nas fronteiras, tem se caracterizado como uma parte fundamental importante deste roteiro de guerras, como forma de você isolar países e colocá-los em situação de verdadeiro assédio por parte de diferentes países”, explica a jornalista.
Além disso, a jornalista também ressalta a aproximação do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, com a Argélia, arquinimiga do Marrocos, o reconhecimento do Estado palestino pela Espanha em 2024 e o choque do governo espanhol com o governo dos Estados Unidos como outros fatores que podem explicar o ocorrido em Ceuta.
“Tudo indica que Trump, Netanyahu e o rei do Marrocos tiveram muito interesse em que esse mar de gente, esse tsunami de seres humanos, essa enorme quantidade de pessoas atravessassem em poucas horas aquelas fronteiras numa região muito estratégica geopoliticamente”, afirma a jornalista.
Assista ao vídeo completo do “A Fórum Te Conta” sobre a crise migratória em Ceuta
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