Avião une “corpo e asas”: o projeto inusitado que pode reinventar a aviação comercial consumindo 50% menos combustível
A fabricante norte-americana JetZero está desenvolvendo uma aeronave comercial com uma aparência muito diferente do comum: o avião segue uma anatomia similar à de uma arraia a fim de poupar combustível.
O conceito do jato, apelidado de Z4, é o do corpo integrado à asa, chamado de blended wing body (BWB).
Diferente das arquiteturas convencionais, em que a fuselagem cilíndrica do avião fica conectada a duas asas independentes, o corpo do Z4 não faz uma divisão entre corpo e asas, mas integra ambos de forma progressiva.
A superfície fica mais aerodinâmica, afirma a empresa, e pode reduzir significativamente o uso de combustível (em até 50%) em relação a aviões comerciais convencionais.
Z4, modelo de avião integrado da JetZero.
Créditos: divulgação A ideia é lançar a aeronave para atender a faixa de mercado intermediária entre os grandes jatos de fuselagem mais estreita e os aviões de fuselagem larga de voos intercontinentais.
Segundo a JetZero, o Z4 transporta até 250 passageiros e pode atingir 5.000 milhas náuticas, o equivalente a cerca de 9.260 quilômetros.
O avião teria capacidade superior à de modelos como o Boeing 737 e o Airbus A320, e alcance suficiente para conectar cidades distantes sem necessariamente recorrer a um widebody (aeronaves de fuselagem larga com dois corredores) convencional.
A NASA também tem pesquisado essa espécie de configuração BWB há décadas.
O exemplo é seu N3-X, uma aeronave desenvolvida com corpo integrado à asa, fuselagem híbrida e propulsão turboelétrica distribuída, projetada para viagens silenciosas e para economizar até 70% de combustível.
Outro setor que estuda a tecnologia é o militar.
Documentos do Departamento da Força Aérea apontam que aeronaves BWB podem reduzir o consumo de combustível em comparação com aeronaves convencionais de tamanho semelhante, além de ampliar a flexibilidade de transporte de carga e tropas.
A Japan Airlines (JAL) anunciou apoio ao programa Z4 durante o Farnborough International Airshow.
A companhia pretende contribuir com conhecimento operacional em áreas como voo, serviços de cabine, manutenção e operações de solo.
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