Aliados de Trump nas Américas abrem os braços para Israel
Aliados de Trump nas Américas abrem os braços para Israel - Governos de direita vêem oportunidade para estabelecer parceria estratégica, revertendo afastamento diplomático conduzido por antecessores.Quando uma ofensiva militar matou mais de 1,4 mil pessoas na Faixa de Gaza em 2009, o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, expulsou o embaixador de Israel em sinal de protesto. Romperam-se, então, as relações diplomáticas entre os dois países.
Dezessete anos depois, Venezuela e Israel concordaram em criar um mecanismo para a retomada de serviços consulares. Trata-se de um passo limitado, mas que até recentemente parecia impensável.
Já na Colômbia, o governo nacionalista do novo presidente de ultradireita, Abelardo de la Espriella, reverteu recentemente a decisão do seu antecessor, Gustavo Petro, de romper os laços com Israel. Também este havia sido um gesto de protesto, desta vez contra a mais recente guerra em Gaza, que deixou 70 mil mortos desde 2023.
De la Espriella chegou a anunciar que a Colômbia transferirá sua embaixada para Jerusalém e declarou nesta semana que o país se juntará aos Estados Unidos como um dos únicos dois países a reconhecer a "soberania israelense" sobre as Colinas de Golã.
Segundo o direito internacional, o território pertence à Síria, mas está sob ocupação israelense desde 1967. A grande maioria da comunidade internacional, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU), não reconhece a anexação das Colinas de Golã por Israel.
"Há uma tendência de reaproximação com Israel como resposta ao avanço da direita radical na região", afirma Isaac Caro, professor da Universidade Alberto Hurtado, no Chile. Segundo ele, governos autoritários da América Latina vinculam as relações com Israel a "um alinhamento ativo com a política externa dos Estados Unidos".
O fortalecimento dos laços com Israel virou uma característica da direita radical latino-americana, dentro de uma visão renovada do lugar da região na civilização ocidental judaico-cristã, acrescenta o especialista.
Na Argentina, por exemplo, o presidente ultraconservador Javier Milei transformou a proximidade com Israel em uma característica central tanto de sua política externa quanto de sua própria identidade política.
Daniel Wajner, professor associado de relações internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém, aponta para uma "explosão" na atividade diplomática entre Israel e governos latino-americanos.
O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que se descreve como "o ditador mais descolado do mundo", foram pioneiros nessa aproximação. Depois vieram Milei e outros líderes. Segundo Wajner, fatores ideológicos, religiosos e estratégicos também explicam o estreitamento dos laços.
Na Venezuela, as políticas declaradas pelo atual governo, que assumiu o poder após os Estados Unidos capturarem Nicolás Maduro em janeiro, continuam baseadas no socialismo populista do chavismo.
Ainda assim, a retomada dos serviços consulares representa uma vitória diplomática simbólica para Israel.
Por sua vez, o governo socialista da Bolívia rompeu relações com Israel após o bombardeio de um campo de deslocados em Gaza, em 2023.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.