Economia brasileira dá sinais de desaceleração: é suficiente para sustentar novos cortes da Selic?
A economia brasileira voltou a crescer em agosto, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), mas os indicadores acumulados mostram que a atividade segue em ritmo moderado.
O cenário reforça os sinais de desaceleração já identificados pelo BC e pode favorecer a continuidade dos cortes da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano.
Desde março, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu os juros em 1,25 ponto percentual, mas ainda há dúvidas sobre o espaço para novas quedas.
Isso porque, apesar da perda de força da economia, a inflação e as expectativas para os preços continuam exigindo cautela.
O IBC-Br, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado nesta sexta-feira (16), avançou 0,34% em agosto, na comparação com julho.
O resultado superou a expectativa de alta de 0,05% dos economistas consultados pelo Valor Data e reverteu parcialmente a queda de 0,31% registrada no mês anterior.
Apesar da recuperação, o indicador acumula crescimento de apenas 1,6% nos 12 meses encerrados em agosto.
Na média móvel trimestral, utilizada para identificar tendências da atividade econômica, houve queda de 0,6% em relação aos três meses encerrados em julho.
Os resultados sugerem que a recuperação mensal ainda não é suficiente para caracterizar uma retomada consistente da economia.
Na abertura setorial, a indústria cresceu 0,9% em agosto, enquanto os serviços avançaram apenas 0,2% e a agropecuária recuou 1,8%.
Projeções apontam crescimento moderado O desempenho do IBC-Br está em linha com um cenário de crescimento econômico moderado em 2026, embora os indicadores utilizem metodologias e períodos diferentes.
Segundo o último boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na terça-feira (13), o mercado financeiro projeta expansão de 1,85% para o PIB brasileiro neste ano.
A estimativa do Ministério da Fazenda é de 2%, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê crescimento de 2,2%, após reduzir sua projeção anterior de 2,4%.
Os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a economia brasileira cresceu 1,9% no primeiro semestre de 2026, na comparação com igual período do ano anterior.
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