A aplicação de renda fixa mais vulnerável se a inflação desandar, segundo a ARX
O petróleo voltou ao patamar de US$ 90 por barril depois de subir quase 3% na segunda-feira, e recolocou uma pergunta incômoda na mesa de quem investe em renda fixa: se a inflação voltar a acelerar, qual investimento de renda fixa pode sair mais machucado? Para Pierre Jadoul, diretor-executivo da ARX Investimentos e gestor responsável pela estratégia de crédito da casa, os prefixados são os que podem trazer retorno maior em um cenário benigno, de normalização fiscal e compressão de juros.
Por outro lado, são “o instrumento mais vulnerável em um cenário adverso de inflação persistentemente elevada”, disse em carta a cotistas divulgada nesta semana.
O petróleo voltou assustar o mercado após o memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã expirar na segunda-feira , e Donald Trump afirmar não ter interesse em estendê-lo.
Com isso, o tráfego pelo Estreito de Ormuz desacelerou de forma expressiva , e segundo dados de rastreamento de embarcações, apenas cinco navios de commodities cruzaram a rota no sábado e nenhum no domingo, contra 31 no fim de semana anterior, após ataques a embarcações.
Nesta terça, o Brent para outubro voltou a operar acima de US$ 91, elevando o temor de transmissão para os juros, já que a commodity pressiona a inflação e, com ela, as expectativas para a política monetária.
Em paralelo, segue a preocupação de agentes de mercado com a trajetória da dívida pública, com taxas reais muito altas que, na visão de Jadoul, podem prevalecer por algum tempo, mas deverão recuar com ajuste fiscal ou via inflação.
“Nessa situação, o investidor em instrumentos nominais curtos pode continuar observando retornos positivos emtermos correntes, mas insuficientes em termos reais” — Pierre Jadoul, gestor da ARX Investimentos Leia também: 4 títulos públicos para se proteger e aproveitar taxas históricas CDI também não é resposta Se os prefixados trazem riscos, os atrelados ao CDI não tendem a trazer a melhor proteção, defende o gestor.
Ele considera compreensível a preferência pelo indexador em uma economia historicamente marcada por juros elevados, mas avalia que ela se torna um problema quando fica concentrada demais.
“A alocação excessiva em CDI continua sendo tratada, no Brasil, como sinônimo de conservadorismo.
Na prática, porém, ela representa concentração em um único fator de risco: a taxa nominal curta”, resume Jadoul.
O profissional aponta dois desdobramentos dessa concentração: Risco de reinvestimento : uma correção fiscal levaria à compressão dos prêmios e à valorização de prefixados e indexados à inflação, e quem estivesse posicionado apenas em CDI teria capturado o carrego elevado por algum tempo, mas renunciado à chance de travar taxas reais altas por prazos mais longos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.