Taxas longas fecham em baixa após pesquisas eleitorais ofuscarem dados de inflação
SÃO PAULO, 9 Out (Reuters) – As taxas dos DIs voltaram a ceder nesta sexta-feira, em especial entre os contratos de longo prazo, com investidores reagindo positivamente a duas novas pesquisas eleitorais que colocam o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da disputa pelo Planalto.
O efeito das pesquisas na curva ofuscou o impacto dos dados de inflação divulgados pela manhã, mostrando o IPCA de setembro acima das projeções.
Leia também Ibovespa bate novo recorde acima de 209 mil e tem melhor semana desde março de 2020 Alta foi amparada pela grande expectativa dos investidores sobre uma alternância de poder Petróleo fecha em alta, ponderando sinais de oferta, e avança na semana Na semana, o Brent e o WTI avançaram 2,41% e 0,81%, respectivamente No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,52%, com baixa de 3 pontos-base ante o ajuste de 12,548% da sessão anterior.
Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,37%, com recuo de 23 pontos-base ante 12,604%.
No acumulado da semana, essas taxas despencaram 99 e 176 pontos-base, respectivamente, após Flávio ter ficado à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição, domingo passado.
Na noite de quinta-feira, a nova pesquisa do Datafolha mostrou Flávio com 49% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula.
Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, os dois candidatos estão no limite do empate técnico.
Os indecisos somam apenas 1%, enquanto aqueles que dizem que votarão em branco, anularão o voto ou não votarão em nenhum candidato chegam a 5%.
Já a pesquisa Atlas/Bloomberg revelou na manhã desta sexta-feira que Flávio tem 51,1%, contra 45,7% de Lula.
Como a margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, a liderança do senador está além da área de empate técnico.
O percentual de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou anular o voto caiu de 5,0% para 3,2%.
A confirmação de que Flávio lidera a disputa no segundo turno — que será realizado em 25 de outubro — voltou a pesar sobre o dólar e sobre a curva de juros, além de dar força ao Ibovespa.
No mercado, boa parte dos agentes considera que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas — ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste.
No limite, o equilíbrio das contas públicas abriria espaço para juros mais baixos, o que se refletiu nesta semana na redução de prêmios na curva de DIs, principalmente entre os vencimentos de longo prazo, mais sensíveis à política fiscal.
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