"O Brasil não cabe no quintal de ninguém": Lula manda recados aos EUA em discurso na ONU
"O Brasil não cabe no quintal de ninguém": Lula manda recados aos EUA em discurso na ONU - Na Assembleia Geral da ONU, Lula manda indiretas a Trump e rivais bolsonaristas ao dizer que não permitirá que "inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular" nas eleições.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a tribuna da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (22/09) para denunciar "ingerências externas", num discurso recheado de recados indiretos aos EUA de Donald Trump. "O Brasil não cabe no quintal de ninguém", disse.
"A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos", disse Lula, após mencionar que na América Latina e Caribe, "a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável".
Na sequência, Lula mencionou que em menos de duas semanas o Brasil irá às urnas para a nova eleição presidencial. Em outro recado velado aos EUA, Lula disse que “teremos um pleito transparente e competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão”, no que pareceu uma referência ao discurso do governo dos EUA, que usou acusações de supostas violações da liberdade de expressão no Brasil para justificar a imposição de sanções contra membros do Judiciário.
Em outro recado, aparentemente direcionado à proximidade entre a Casa Branca e seus aliados bolsonaristas no Brasil, Lula disse que "sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país".
"Mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular", prosseguiu o presidente.
"A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém..! Ninguém nos afastará desse caminho."
Tal como ocorreu em 2025, a fala de Lula na ONU ocorre em um momento particularmente delicado para a diplomacia brasileira. A viagem de Lula a Nova York ocorre após a Casa Branca sob Donald Trump impor um novo tarifaço punitivo a exportações brasileiras.
Lula fez duas referências indiretas às tarifas dos EUA, que também atingem países como o Canadá e membros da União Europeia, entre outros.
"Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas. (...) Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações", disse Lula.
A delegação dos Estados Unidos presente na Assembleia não aplaudiu, em momento algum, o discurso de Lula, em contraste com outros países.
Esta foi a 10ª participação de Lula na Assembleia Geral da ONU. Nos seus dois primeiros mandatos (2003-2010), Lula discursou seis vezes no encontro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.