Citi passa a prever alta de juros nos EUA em dezembro após inflação acima do esperado
O Citibank revisou sua projeção para a política monetária dos Estados Unidos e passou a prever uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) em dezembro, após os dados de inflação ao consumidor (CPI) de setembro superarem as expectativas.
Antes, o banco projetava estabilidade das taxas até o fim do ano.
O Citi, considerado um dos bancos mais “dovish” (propenso ao afrouxamento monetário) de Wall Street, manteve a projeção de estabilidade dos juros em outubro, após a alta de setembro, para a faixa atual entre 3,75% a 4%.
Mais cedo, os dados mostraram que o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,6% em setembro, em linha com as projeções.
O núcleo do CPI subiu 0,3%, um resultado mais forte do que o aumento de 0,18% previsto pelo Citi.
Os números até agora sugerem uma leitura do núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE) acima da meta, na casa de 0,30% em base mensal e de 3,1% em base anual em setembro, diz o banco.
“É provável que as autoridades do Fed elevem as taxas de juros novamente este ano.
Agora, incluímos um aumento em dezembro em nossas projeções”, diz o Citi, em relatório.
“O núcleo do CPI veio mais forte do que esperávamos em todos os aspectos, mas os detalhes não alteram substancialmente nossa visão de que o núcleo da inflação está desacelerando”, afirma o Citi.
O banco destaca que o núcleo do CPI teve alta média mensal moderada de 0,205% nos últimos quatro meses, após distorções causadas pela paralisação do governo, embora o padrão mensal de variação dos preços tenha sido mais volátil, com uma leitura muito fraca em junho e resultados mais fortes nos meses seguintes.
O Citi enfatiza também a alta surpreendente de 0,35% no aluguel equivalente dos proprietários (OER), que pode refletir uma anomalia na amostra, e não uma nova tendência de aceleração da inflação de habitação nos próximos meses.
Além disso, não há sinais relevantes de repasse da alta da energia aos preços do núcleo de bens, embora a inflação desses produtos tenha vindo mais forte que o esperado.
De modo geral, os preços de serviços mostraram-se moderadamente mais fortes, afirma.
Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.
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