"Monstro cósmico": buraco negro dispara ventos 100 vezes mais fortes do que se pensava
Os buracos negros supermassivos são objetos astronômicos fascinantes, com gravidade tão forte que devoram tudo que se aproximar demais — incluindo a luz.
Agora, um novo estudo liderado por Satoshi Yamada , da Universidade de Tohoku, revelou que um monstro cósmico destes está disparando ventos quase 100 vezes mais poderosos do que se pensava.
Parece estranho? Yamada explicou que, embora os buracos negros sejam popularmente conhecidos por devorar matéria, estes objetos também disparam gás na forma de ventos .
“Pensava-se que esses ventos ficavam na galáxia, mas nosso estudo revelou que a força é imensamente mais poderosa do que consideramos antes”.
Os fluxos emitidos pelo objeto são tão energéticos que é possível compará-los à explosão de alguns bilhões de supernovas , as explosões cósmicas consideradas alguns dos eventos mais energéticos do universo.
Como consequência, essas emissões causam turbulências de mais de 300 mil anos-luz no gás presente por lá.
Buraco negro e seus ventos Para entender os impactos do fluxo, os pesquisadores estudaram H1821+643 , um quasar (nome dado aos buracos negros no coração das galáxias, que devoram gás e poeira e tornam-se fontes luminosas) na constelação de Draco, o Dragão, a cerca de 3,4 bilhões de anos-luz da Terra .
O buraco negro supermassivo ali parece ter de três a quatro bilhões de vezes a massa do nosso Sol .
Além disso, este é o quasar mais próximo da Terra que está em um aglomerado galáctico.
Com observações conduzidas em 2024, os pesquisadores conseguiram identificar a velocidade do gás e sua turbulência , e confirmaram que o motivo da perturbação era a energia disparada pelo quasar.
Os resultados indicam que, de fato, os buracos negros podem ser como “motores” por trás dos fluxos de gás no espaço, transportando grandes quantidades de energia para diferentes áreas do universo.
“Pela primeira vez, mostramos que os buracos negros influenciam o ambiente ao redor por meio de uma onda de choque de poder impressionante ”, concluiu Yamada.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Astronomy . {{WHATSAPP_CHANNEL}}
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