Flávio apostou em custo de vida e violência na TV, e Lula investiu em legado, dizem analistas
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O discurso voltado ao endividamento, custo de vida e violência cotidiana beneficiou a campanha de Flávio Bolsonaro ( PL -RJ), assim como o afastamento do tom de confronto associado ao pai do candidato.o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo analistas ouvidos pela Folha .
Do outro lado, o presidente Lula ( PT ) apostou no legado de seus governos anteriores, em campanha confiante na biografia do petista, o que especialistas avaliam ter sido uma escolha equivocada.
A propaganda no rádio e na TV do segundo turno recomeça nesta sexta-feira (9) e vai até 23 de outubro, antevéspera da votação. São dois blocos diários de dez minutos para a disputa presidencial, divididos igualmente entre Lula e Flávio, além de inserções ao longo da programação. Nos estados com segundo turno para governador, há blocos próprios no mesmo formato.
O senador terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, e o mandatário chega com 45,16%. Embora o resultado não se explique apenas pela comunicação dos candidatos, segundo os pesquisadores, as escolhas de cada campanha ajudam a entender a menor diferença já registrada em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização. Desde 1989, em todas as eleições decididas em segundo turno, venceu quem liderou a primeira votação.
Na avaliação do professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e colunista da Folha , Wilson Gomes, a propaganda não oferece ao leitor uma perspectiva de futuro. "Você escolhe dizer para o eleitor que ele deve olhar para trás e escolher você. E olhar para trás dá torcicolo", afirma. Para Gomes, faltou ao PT um discurso consistente sobre algo que só Lula poderia fazer e que mudaria a vida do eleitor.
A propaganda petista também deu pouca resposta sobre promessas de 2022 que não foram cumpridas, avalia Camilo Aggio, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e pesquisador do INCT.DD (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital). "Campanhas eleitorais são sobre o futuro", reforça.
De início, tratando também de soberania , tema que Aggio avalia ser mais distante das preocupações do eleitor, a propaganda passou a falar de renda ao se aproximar do pleito eleitoral. A estratégia foi corrigida depois que Flávio levou esses temas ao centro da própria propaganda, afirma.
Na segurança pública, o filho de Jair Bolsonaro falou de roubo de celular, facções e redução da maioridade penal, o que Aggio descreve como um discurso punitivista voltado à violência do dia a dia. Para ele, a campanha do senador foi enxuta e tratou de problemas vividos pelo eleitor a cada semana.
Ao priorizar esses temas em detrimento de questões morais e provocações, Flávio se afastou do tom do pai, avalia Gomes. "Todo mundo estava observando para ver se Flávio era Jair 2 ou se era outra pessoa", acrescenta, o que beneficiou o candidato.
O resultado, porém, não pode ser atribuído apenas à campanha, pondera Aggio. "Não dá para dizer que teve um efeito direto da campanha do Flávio, dá para dizer que ele achou a agenda certa", afirma.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.