BC prepara conjunto de ações para conter endividamento das famílias
O Banco Central prepara um conjunto de medidas com o objetivo de conter o crescente endividamento das famílias no país , incluindo ações para ampliar responsabilidades e exigir transparência por parte dos bancos, e analisa um modelo regulatório que limita o crédito autorizado por pessoa a depender do nível de renda, disseram à Reuters duas fontes que participam das discussões.
O plano reflete a crescente preocupação de autoridades com o comprometimento das finanças das famílias .
O BC já havia sinalizado que anunciaria medidas para disciplinar a oferta de crédito sem garantia, incluindo via cartões de crédito.
Leia Mais Crédito caro e renda pressionada levam inadimplência a recorde no país Endividamento recorde e juro elevado preocupam setores da economia Análise WW: Juros altos colocam empresas e famílias nas cordas De acordo com as duas fontes familiarizadas com os debates, que falaram sob anonimato devido à natureza privada das ações, as medidas devem ser faseadas e anunciadas de maneira gradual , sendo que eventual aumento de requerimento de capital para as instituições financeiras não deverá constar em uma primeira leva de anúncios.
O Banco Central afirmou que não comentaria o assunto.
O endividamento é tema central nas discussões eleitorais no país, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, tendo colocado em prática novas rodadas de renegociação e perdão de dívidas de famílias e empreendedores, enquanto o candidato Flávio Bolsonaro (PL) prometeu implementar um programa de compra de débitos pelo governo e congelamento temporário de dívidas se for vitorioso nas urnas.
O endividamento das famílias atingiu em julho 49,9% da renda acumulada nos últimos 12 meses , patamar historicamente alto, segundo dados do BC, e o Serasa apontou um nível recorde de 83,9 milhões de consumidores inadimplentes.
Enquanto a expansão dos canais bancários digitais ampliou o acesso ao crédito e reduziu custos para credores e consumidores no país nos últimos anos , a rapidez e a agressividade com que empréstimos podem ser ofertados, aprovados e desembolsados têm levantado questionamentos sobre a concessão responsável desses financiamentos.
Um dos eixos em estudo prevê que as instituições financeiras façam uma classificação criteriosa do perfil do tomador antes de conceder o crédito.
Também seriam ampliadas exigências de transparência para que o consumidor tenha acesso simplificado às informações da operação antes da contratação , disse uma das fontes.
Como parte da revisão de experiências internacionais, a autarquia tem debatido o modelo adotado, entre outros países, por Cingapura, tratado como um exemplo bem-sucedido, ressaltou essa fonte.
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