Alexandre Garcia: A exaustão chegou
O ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, ainda não desencarnou do Tribunal Superior Eleitoral .
Falando no Tribunal de Contas do Município de São Paulo, afirmou que nosso modelo eleitoral já se esgotou.
Mostrou, com toda razão, que os partidos já não representam as aspirações do povo e melhor seria tornar os representantes eleitos mais próximos da fonte do poder, adotando o voto distrital.
Na verdade, não é apenas o modelo eleitoral que se esgotou.
O próprio Judiciário vive uma exaustão, principalmente em seu topo.
Congestionamento de ações, inconstitucionalidade de remunerações, arbítrio, injustiças, invasão em atribuições de outros Poderes e leitura infiel da Constituição.
O tribunal constitucional sofreu metamorfose e transfigurou-se em tribunal político.
Virou resistência à democracia direta da ágora digital.
Mas é entusiasta do mundo digital para contagem de votos.
Por isso, no modelo eleitoral que Moraes diz ter-se esgotado, falta confiança por carecer de transparência e que o eleitor compreenda como seu voto é apurado.
Já não há separação entre Poderes.
Há uma relação promíscua entre o Senado e o Supremo, em que um não julga o outro.
Mudar essa interdependência é essencial para purificar um e outro.
Se há o rabo preso recíproco, também há o do atual presidente da República, cuja ficha suja ganhou o alvejante do Supremo.
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