Indígena tira certidão de nascimento tardia aos 19 anos no Acre: 'Quero estudar', diz
Indígena de 19 anos e pai falam sobre emissão da 1ª certidão de nascimento do rapaz 😨 Já pensou passar a vida inteira sem existir civilmente? Foi o que aconteceu com o acreano Manoel Biló Kaxinawa, de 19 anos.
Nascido em uma aldeia indígena do Jordão, no interior do estado, ele não foi registrado e, por não ter documentos, nunca conseguiu estudar e enfrentou dificuldades para acessar serviços básicos.
A história, no entanto, ganhou um novo capítulo nessa terça-feira (25), quando o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) determinou a emissão do registro de nascimento tardio durante uma audiência em Tarauacá, também no interior, onde o jovem mora com a família. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Ele e o pai Elemar Biló Kaxinawa têm dificuldades para falar português, mas fizeram questão de celebrar a conquista.
Perguntado sobre o que pretende fazer quando estiver com a certidão de nascimento em mãos, Manoel foi preciso na resposta: "Agora quero estudar", diz.
Em vídeo gravado pela comunicação do TJ-AC, os indígenas falam dos projetos para o futuro com a documentação.
"Agora, vamos colocar na escola para estudar e formar.
Tem que estudar", diz Elemar. (Veja vídeo acima) Sem a certidão, Manoel não pôde estudar e tem limitações para ler Elisson Magalhães/Secom TJ-AC LEIA MAIS: Oficina gratuita oferece formação audiovisual para comunicadores indígenas no Acre Atriz Glória Pires viaja ao Acre e visita projetos de sustentabilidades do povo Huni Kuin; VÍDEO Espaço indígena no AC reúne saberes tradicionais e acadêmicos para recuperar área degradada pelo fogo: 'Consciência da Terra' Conforme o TJ-AC, o cartório de município ainda deve fazer o registro e emitir a certidão de nascimento de Manoel em até um mês.
"Até que chegou a hora e posso dizer que está tudo resolvido", disse animado o pai do indígena.
A audiência ocorreu durante o Projeto Política Nacional de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades (PopRuaJud) do TJ, que reúne diferentes órgãos para oferecer serviços gratuitos.
O atendimento foi feito na Escola Maria Aucilene Calixto e a família soube da ação por vizinhos.
Perdas e mudanças Apesar do 'final feliz', a história de Manoel sempre foi marcada por perdas e mudanças.
Ele nasceu em 2007, na Aldeia Flor da Floresta, no Jordão, mas logo em seguida os pais se separaram e ele ficou sob os cuidados da mãe.
Contudo, quando ele tinha apenas quatro anos, a mãe faleceu.
"Eu e a mãe dele nos separamos quando ele era pequeno e deixei morando com ela.
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