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Política

Depois que o motor de seu barco falhou durante uma tempestade em uma região isolada do Pacífico, um pescador permaneceu 438 dias à deriva, sobrevivendo com peixes, aves marinhas e água da chuva enquanto as correntes o carregavam por milhares de quilômetros

O Antagonista ·
Depois que o motor de seu barco falhou durante uma tempestade em uma região isolada do Pacífico, um pescador permaneceu 438 dias à deriva, sobrevivendo com peixes, aves marinhas e água da chuva enquanto as correntes o carregavam por milhares de quilômetros

Sem motor e levado pelas correntes, o pescador atravessou milhares de quilômetros até alcançar sozinho uma pequena ilha nas Ilhas Marshall

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Em novembro de 2012, uma viagem de pesca que deveria durar apenas alguns dias terminou em uma das mais extraordinárias histórias modernas de sobrevivência no oceano. José Salvador Alvarenga , pescador salvadorenho que trabalhava no México, teve o motor de sua pequena embarcação inutilizado durante uma tempestade e acabou levado para o Pacífico aberto. Quando voltou a pisar em terra, 438 dias depois, estava nas Ilhas Marshall, aproximadamente 10.800 quilômetros distante do ponto de partida.

Alvarenga saiu da costa de Chiapas acompanhado de Ezequiel Córdoba para uma pescaria em uma pequena embarcação aberta de fibra de vidro. Uma forte tempestade atingiu a região, ondas invadiram o barco e a dupla precisou descartar parte da carga. O motor deixou de funcionar, enquanto equipamentos eletrônicos acabaram inutilizados.

Equipes mexicanas receberam o alerta e procuraram os pescadores, mas as condições meteorológicas e a velocidade com que a embarcação se afastava dificultaram a localização. Autoridades de resgate confirmaram posteriormente que um barco com dois pescadores havia realmente sido declarado desaparecido naquela região.

A prioridade absoluta era água doce. Quando chovia, os dois pescadores aproveitavam recipientes encontrados no barco para armazenar o máximo possível. Nos períodos secos, a situação se tornava muito mais perigosa. Alvarenga também relatou ter recorrido temporariamente a sangue de tartaruga e urina, práticas que não devem ser tratadas como técnicas seguras de hidratação.

O vídeo abaixo apresenta em português a trajetória de Alvarenga e reconstrói os principais desafios enfrentados durante os 438 dias de deriva pelo Pacífico.

Com o passar das semanas, peixes passaram a circular ao redor da pequena embarcação. Alvarenga utilizava as mãos e os poucos instrumentos ainda disponíveis para capturar peixes, tartarugas e aves marinhas. Grande parte era consumida crua porque não havia equipamento para cozinhar regularmente.

A alimentação era extremamente irregular e trazia riscos sanitários. Depois do resgate, médicos identificaram anemia e investigaram possíveis parasitas associados à ingestão de animais crus. Ainda assim, conseguir proteína e líquidos provenientes das presas foi decisivo nos longos intervalos em que não aparecia qualquer outra fonte de comida.

Ezequiel Córdoba conseguiu sobreviver durante parte da deriva, mas seu estado físico e psicológico deteriorou-se. Segundo Alvarenga, o companheiro passou a recusar alguns alimentos disponíveis e morreu semanas depois. A duração exata dessa fase aparece com pequenas diferenças nos relatos publicados posteriormente.

Depois de ficar sozinho, Alvarenga relatou períodos de depressão, alucinações e pensamentos suicidas. A solidão se tornou tão ameaçadora quanto fome ou sede, porque já não existia qualquer perspectiva concreta de quando — ou mesmo se — a embarcação encontraria terra.

Ele não navegou deliberadamente até as Ilhas Marshall.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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