Crítica | ‘London’ – Um dos grandes filmes do Festival do Rio 2026
Criando uma impressionante atmosfera de sensações e mexendo a todo instante com o público, driblando os preconceitos através de desabafos de situações cotidianas sob a perspectiva de um jovem com deficiência e as dúvidas sobre as incertezas de um diagnóstico como uma sentença, London , escrito e dirigido por Victor Di Marco e Márcio Picoli , é um poderoso longa-metragem. A obra, diz muito por meio de criativas formas de expandir a linguagem.
Exibido no Festival de Veneza deste ano, onde teve sua première mundial e venceu o Queer Lion na semana da crítica, o filme desembarcou na cidade maravilhosa na reta final do Festival do Rio 2026, com suas primeiras exibições no Brasil em sessões lotadas. Tive a sorte de conseguir um ingresso para assistir no Cine Odeon, na tarde da última quinta-feira (08), e não me arrependi em nenhum momento.
Na trama, conhecemos London ( Victor Di Marco ), um jovem com deficiência que vive as incertezas em seu cotidiano diante da possibilidade de um diagnóstico definitivo. Ele trabalha à noite, em um lugar onde as fantasias se libertam, e passa os dias nas inquietações de pensamentos que surgem enquanto planeja seus próximos passos.
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A construção da obra funciona como uma sinfonia imersiva, sedutora e misteriosa, que arrasta os profundos dilemas de um protagonista em crise de forma para o centro dos holofotes, explorando a intensidade do prazer e as marcas profundas de memórias que desaguam em um presente em constante movimento. Ao Investigar as potencialidades da junção entre imagens e sons, muitas vezes acompanhados por incessantes batidas eletrônicas que criam um potente desconforto, a obra sugere a erupção de conflitos que atingem o personagem principal. O projeto alcança um nível de rara excelência ao potencializar o interno das dores silenciosas. Esse é um filme que pulsa ininterruptamente.
Da intensidade do prazer ao olhar do outro, esse drama queer explora cada possibilidade sobre a noite que liberta e o dia que mais parece um labirinto de estradas. Nessa contradição, o filme encontra seu norte através das descobertas, novas conexões, prazeres e gritos de liberdade, em contraponto à desorientação sem lacunas definitivas. Nos desabafos de situações vividas e sentidas pelo impactante protagonista, aborda a sociedade e o olhar para as deficiências.
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London é uma jornada que parece infinita e continua em nossos pensamentos depois que os créditos sobem. Um trabalho primoroso de Victor Di Marco e Márcio Picoli . Um dos grandes filmes da edição 2026 do Festival do Rio .
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