Nepaleses buscam familiares desaparecidos após avalanche devastadora
Rishi Shrestha verifica a lista várias vezes, mas por fim aceita a realidade: o nome de seu primo não está entre os sobreviventes das enchentes repentinas que devastaram o norte do Nepal.
Ele quase não tem mais esperanças de vê-lo outra vez. "Já se passaram mais de três dias", diz com um suspiro. "Há 99% de chances de ele não estar mais vivo."
Seu primo, Rajan Shrestha, de 35 anos, viajava em direção à vizinha China na quarta-feira, quando a enorme avalanche de água e escombros, provocada pelo colapso de uma geleira rio acima, soterrou a estrada em que estava.
"Falei com ele naquela manhã, quando ele parou para tomar um chá pouco antes de cruzar a fronteira", conta Rishi.
"O exército nos diz que está resgatando as pessoas que conseguem localizar, ou seja, aquelas que conseguiram se refugiar em áreas mais altas. Parece que ele foi soterrado...", acrescenta.
Até agora, as autoridades nepalesas recuperaram mais de 600 corpos de um mar de lama e detritos que cobre o vale.
No entanto, quase 2.500 pessoas continuam desaparecidas no lado nepalês, incluindo centenas de turistas estrangeiros, que são muito numerosos nesta região do Himalaia frequentada por excursionistas e peregrinos.
Dezenas de pais, filhos e amigos foram ao quartel militar na cidade de Bidur neste sábado, onde as equipes de resgate montaram seu centro de operações, em busca de notícias de um ente querido.
Em frente ao quartel, as autoridades fixaram uma lista de várias páginas em um caixa eletrônico com os nomes das pessoas que os socorristas conseguiram localizar e resgatar.
Kalka Sharda também não teve sorte. "O nome do meu filho não está lá", lamenta.
O jovem, de apenas 18 anos, trabalhava na usina hidrelétrica de Trishuli, que foi completamente devastada. Ela não tem notícias dele desde a catástrofe de quarta-feira.
"Quase perdi toda a esperança", acrescenta a mulher, desolada. "Se ele ainda estivesse vivo, certamente teria encontrado uma maneira de entrar em contato comigo."
Ao lado dela, Pasang Sherpa procura desesperadamente por seu irmão, Chiring Tamang, de 40 anos.
Nos últimos três dias, ele está acampado do lado de fora do quartel de Bidur, aguardando notícias de seu irmão que, após retornar da China em seu caminhão, passou a noite de terça-feira na localidade nepalesa de Timure.
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