MP denuncia homem que matou ex a facadas em mercado na Zona Norte de SP
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou Lafayete Gonzaga da Silva, que matou a ex-companheira a facadas dentro de um supermercado na zona norte de São Paulo no último domingo, por feminicídio.
Lafayete pode responder por feminicídio qualificado. Segundo a denúncia, o crime foi cometido com meio cruel e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima, identificada como Angelita Manoela Rodrigues, que foi surpreendida no supermercado.
MPSP entende que o crime ocorreu por razões da condição do sexo feminino. A Promotoria apontou o contexto de violência doméstica e familiar, a relação íntima de afeto e a coabitação entre os dois.
Ele também é acusado de maus-tratos a animal. Denúncia alega que Lafayete matou o cachorro da ex-companheira com golpes de faca no quintal da casa onde moravam.
Ministério Público pediu a manutenção da prisão preventiva e indenização de R$ 500 mil. O valor foi requerido como reparação mínima aos familiares da vítima. A preventiva foi decretada em audiência de custódia na segunda-feira.
Antes de matar Angelita, Lafayete matou o cachorro dela a facadas, segundo a denúncia. O crime aconteceu na manhã do dia 16 de agosto, no quintal da residência do casal, na Freguesia do Ó.
Em seguida, ainda armado, ele perseguiu a vítima até um supermercado a poucos metros dali. Ela, então , foi atacada com várias facadas, na frente de clientes e funcionários. Câmeras de segurança registraram o ataque e foram obtidas pela polícia.
Vítima foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), Angelita foi encaminhada ao Hospital Brasilândia, onde morreu.
Lafayete tentou fugir, mas foi contido no local. Ele foi encaminhado à delegacia e permaneceu preso. A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva na segunda.
Casal vivia junto há oito anos em um relacionamento marcado por violência, segundo a advogada da vítima, contratada pela família para representá-la. De acordo com ela, Angelita tentou sair da relação algumas vezes, mas não conseguiu. A mãe da vítima, que era sua única referência familiar, faleceu há pouco tempo.
Lafayete supostamente estava sob efeito de drogas e bebidas alcoólicas há dois dias antes do crime. A informação foi relatada por ambas as defesas ao UOL . Não há, até o momento, confirmação por exame toxicológico.
Defesa de Lafayete disse repudiar qualquer forma de violência contra a mulher e manifestou pesar pela morte. Em nota ao UOL , afirmou que os esclarecimentos sobre os fatos serão apresentados ao juízo competente.
Em nota enviada ao UOL, a defesa de Angelita afirma estar empenhada em entender as circunstâncias que envolveram os fatos e sua morte. "Angelita merece que as circunstâncias de sua morte sejam integralmente esclarecidas e que, caso as investigações demonstrem a prática de ilícitos, os responsáveis sejam devidamente responsabilizados na forma da lei".
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