Um braço de galáxia ficou grande demais e a vizinha logo abaixo pode ser a responsável por puxá-lo com a gravidade
Galáxia de aproximadamente 200 mil anos-luz apresenta um braço espiral alongado que pode ter sido deformado pela atração gravitacional de NGC 770
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A aproximadamente 100 milhões de anos-luz da Terra, uma galáxia espiral apresenta uma deformação impressionante: um de seus braços se estende muito além dos demais, formando uma estrutura claramente assimétrica. Conhecida como Arp 78 ou NGC 772, ela possui cerca de 200 mil anos-luz de diâmetro. A explicação mais provável envolve a atração gravitacional de uma companheira menor, chamada NGC 770, capaz de modificar a distribuição de estrelas e gás ao longo de milhões de anos.
Localizada na constelação de Áries, a Arp 78 apresenta um núcleo luminoso cercado por braços espirais de extensões diferentes. Um deles se projeta muito além da região central, acompanhando faixas escuras de poeira e agrupamentos azulados de estrelas jovens. Essa estrutura destaca a galáxia entre outros sistemas espirais observados pelos telescópios.
A assimetria provavelmente não surgiu de maneira isolada. Interações gravitacionais podem alterar as órbitas de estrelas e nuvens de gás, modificando o desenho dos braços espirais. No caso da NGC 772, a proximidade de uma galáxia companheira oferece uma explicação consistente para o alongamento observado.
A NGC 770 é uma galáxia elíptica anã associada à espiral maior. Apesar de possuir dimensões menores, sua atração gravitacional pode provocar perturbações importantes. Isso acontece porque diferentes regiões da galáxia principal experimentam intensidades distintas de atração durante a interação.
Essas diferenças são conhecidas como forças de maré gravitacionais. Ao longo do tempo, elas podem redistribuir matéria e intensificar estruturas existentes. Entretanto, a aparência atual não permite reconstruir completamente a trajetória orbital das duas galáxias nem determinar quando ocorreu a principal perturbação.
Observações realizadas pelo telescópio Gemini North, no Havaí, mostram o braço externo com detalhes de sua distribuição de poeira e estrelas. Regiões azuladas indicam a presença de populações estelares jovens e quentes, enquanto faixas escuras revelam material interestelar que absorve parte da luz.
As imagens também registram numerosas galáxias mais distantes ao fundo. Essas estruturas não pertencem necessariamente ao sistema da NGC 772. Distinguir objetos próximos de fontes projetadas na mesma direção é fundamental para interpretar corretamente as interações gravitacionais.
O astrônomo Halton Arp publicou, em 1966, um catálogo reunindo 338 sistemas galácticos com características morfológicas incomuns. A NGC 772 recebeu a identificação Arp 78 principalmente por sua aparência assimétrica e pela presença de uma companheira menor.
Em março de 2022, o observatório Gemini North divulgou uma imagem detalhada do sistema. A publicação institucional do NOIRLab explica que a interação gravitacional com NGC 770 provavelmente deformou o braço espiral.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.