Família diz que Hopi Hari cortou ajuda a jovem ferida em montanha-russa
A família de Júlia Bossoni, a jovem que perdeu movimentos após sofrer um traumatismo cranioencefálico na montanha-russa Montezum, no Hopi Hari, afirma que o parque cortou a assistência financeira após a alta hospitalar.
Parque pagou a hospedagem e a alimentação da família durante a internação de quase 60 dias em Vinhedo (SP). O Hopi Hari também custeou o transporte de ambulância de São Paulo ao Paraná, que ficou em R$ 7 mil, informou a advogada da família, Luana Bossoni, ao UOL . Segundo a representante, não está claro se o valor veio de um seguro, que o parque afirma ter acionado, ou se foi pago diretamente pela empresa.
Assistência foi cortada com a volta de Júlia, 28, a Londrina (PR). Representantes do parque teriam prometido enviar ajuda semanal para custear fraldas, remédios e outros recursos para auxiliar no tratamento, mas teriam de responder à representante da mulher.
Família já gastou R$ 70 mil em tratamento médico. Valor, arrecadado por uma vakinha online, paga a equipe de neurocirurgiões especialistas que atenderam Júlia, mas não atuam pelo plano de saúde. A jovem, que já passou por duas cirurgias, sofre também com complicações causadas pelos procedimentos que afetaram movimentos e fala, informou a advogada à reportagem.
Defesa de Júlia acionou a Justiça com processos cível e criminal contra o parque. Ação conjunta soma mais de 800 páginas e traz todo o histórico médico da jovem.
UOL procurou o Hopi Hari para saber sobre a ajuda de custo concedida à família de Júlia e espera resposta. O espaço fica aberto para manifestações.
Montezum é a maior montanha-russa de madeira da América Latina. Inaugurada em 1999, a atração tem cerca de 42 metros de altura e pode alcançar mais de 100 km/h em pouco mais de um quilômetro de extensão.
Júlia perdeu a consciência durante volta na Montezum, em abril. Ela havia viajado com o marido, João Pedro Bossoni, para aproveitar o dia no parque. Na segunda volta do casal na montanha-russa e, a mulher ficou desacordada e começou a convulsionar.
Jovem sofreu hemorragia intracraniana e edema cerebral após o passeio . Ela foi operada e ficou constatado o TCE (traumatismo cranioencefálico). Laudos iniciais já indicavam a natureza traumática das lesões, mas não apontavam a causa, informou a advogada.
Um segundo laudo concluiu que trauma foi causado por contragolpe na montanha-russa. Após investigação que descartou má formação e outras possibilidades, o neurocirurgião Victor Batistela atestou, em julho, que o mecanismo de contragolpe durante o passeio causou o rompimento de vasos sanguíneos cerebrais.
Hopi Hari afirmou que Júlia foi atendida conforme os protocolos de segurança do local e que acompanhou a internação. Em nota ao Fantástico, da TV Globo, a empresa afirmou que o departamento jurídico do parque manteve contato com os familiares da jovem para o suporte necessário durante todo o processo de atendimento da paciente em seu tratamento. O parque também explicou que realiza inspeções anualmente nas atrações radicais como a Montezum.
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