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Economia

Empresários veem alívio institucional, mas cobram ajuste fiscal de Lula

Por Redação 5News · · com informações de UOL Economia
Empresários veem alívio institucional, mas cobram ajuste fiscal de Lula

Setor empresarial celebra desfecho eleitoral, mas pressiona por responsabilidade fiscal

O resultado das eleições presidenciais, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro, trouxe sensações ambivalentes aos líderes empresariais brasileiros. Enquanto parte significativa do empresariado respirou aliviado diante de riscos que associam à continuação de um projeto alinhado ao bolsonarismo, crescem entre esses mesmos agentes a ansiedade com os caminhos que a economia poderá tomar nos próximos anos. A comunidade de negócios está ciente de que os primeiros passos do novo governo serão fundamentais para restaurar a segurança dos investidores, especialmente quanto ao controle das contas públicas e à solidez da gestão econômica.

A repercussão imediata nos mercados financeiros já evidencia as preocupações. Banqueiros consultados previram uma reação bastante severa dos investidores no início da semana seguinte ao pleito, com expectativas de queda nos índices da Bolsa de Valores brasileira e pressão altista sobre a cotação do dólar. Como termômetro dessa apreensão, registrou-se na noite do domingo seguinte ao primeiro turno uma desvalorização de quase um quinto do EWZ, o fundo que agrupa as ações das principais companhias listadas no Brasil e é amplamente monitorado pelos investidores internacionais como indicador do clima para os negócios brasileiros.

O alívio institucional entre executivos

Apesar da tensão econômica, uma parcela considerável do mundo corporativo viu o resultado como positivo para o país por razões que extrapolam a esfera meramente financeira. Executivos de grandes empresas destacaram os ganhos institucionais e ambientais que veem associados ao resultado eleitoral. Um dos nomes mais respeitados do setor industrial afirmou que a vitória representava um resultado favorável, ressaltando que a possibilidade de continuidade de um projeto liderado por Flávio Bolsonaro carregava consigo riscos institucionais significativos. Esse mesmo executivo apontou ainda que áreas críticas como educação, proteção ambiental e relacionamento internacional tendem a se beneficiar do novo governo.

A importância de preservar as instituições democráticas também foi valorizada por outro grande nome do mercado financeiro. O ex-presidente de uma das maiores instituições bancárias do Brasil manifestou-se satisfeito em ver a democracia funcionando sem interrupções ou rupturas institucionais, considerando esse resultado como importante em si.

Essas manifestações refletem uma preocupação que tem marcado setores da elite empresarial brasileira: a inquietação com possíveis ataques às bases institucionais que garantem a segurança jurídica necessária para os negócios de longo prazo.

O desafio urgente da responsabilidade fiscal

Mas se a democracia funcionou, a economia permanece como questão não resolvida. Para executivos que representam acionistas e investidores preocupados com seus retornos, o novo governo necessita demonstrar rapidamente seu compromisso com o equilíbrio das contas públicas. Um dos principais acionistas do setor de cosméticos alertou que, sem sinalizações concretas nessa direção, o país corre o risco de enfrentar um cenário recessivo nos meses subsequentes.

Essa pressão por ajuste fiscal não é mera especulação. A perspectiva de um governo que descuidasse do equilíbrio orçamentário poderia afastar capitais, elevar custos de financiamento e comprometer a retomada do crescimento econômico. Para essa parcela do empresariado, não se trata apenas de ideologia, mas de viabilidade econômica concreta.

A escolha da equipe econômica como teste decisivo

Um dos primeiros e mais importantes testes que o novo presidente enfrentará será a composição de sua equipe econômica. Executivos que atuam como conselheiros de grandes corporações apontam que os nomes escolhidos para os ministérios-chave sinalizarão claramente qual será a direção do próximo mandato. A expectativa é que o governo demonstre capacidade de diálogo nacional enquanto mantém responsabilidade com as condições econômicas do país.

A seleção de personalidades reconhecidas por competência técnica e credibilidade junto ao mercado seria capaz de acalmar os ânimos dos investidores. Porém, isso precisaria vir acompanhado de comunicação clara sobre quais serão as políticas adotadas e, fundamentalmente, como elas serão financiadas. Obscuridade nesses pontos tenderia a alimentar desconfiança.

Um ex-diretor da autoridade monetária brasileira apontou que a divulgação do novo ministro responsável pela Fazenda deveria ocorrer no menor prazo possível após a posse. Segundo sua análise, a reação do mercado financeiro seria mais favorável a certos nomes em comparação com outros. Especificamente, sugeriu que uma indicação do vice-presidente para esse papel seria recebida de forma mais positiva do que eventual retorno de um ex-ministro que havia deixado o governo anterior para disputar eleição estadual e foi derrotado.

Contexto: O que está em jogo

Para compreender a dimensão da preocupação empresarial é importante considerar o cenário macroeconômico brasileiro. Nos últimos anos, a economia tem enfrentado desafios estruturais que combinam inflação persistente, endividamento público elevado e incerteza sobre a sustentabilidade fiscal. Investidores domésticos e estrangeiros avaliam qualquer novo governo à luz dessa realidade econômica desafiadora.

O EWZ, mencionado como instrumento de reação do mercado, funciona como carteira que reúne ações de empresas brasileiras que têm liquidez e exposição internacionais. Uma queda de quase vinte por cento em poucas horas reflete não apenas reação imediata ao resultado, mas também precificação rápida de riscos percebidos sobre a sustentabilidade da política econômica futura.

Os executivos mencionados no debate representam diferentes setores e perspectivas. Alguns lideraram grandes corporações multinacionais ou instituições financeiras. Outros mantêm atualmente posições estratégicas como conselheiros ou acionistas em conglomerados. Essa diversidade de origem sugere certo consenso entre lideranças empresariais quanto aos desafios imediatos que o governo enfrentará.

A questão fiscal não é abstrata. Ela está conectada a taxas de juros, custo de capital para expansão empresarial, poder de compra do consumidor e, portanto, à viabilidade de investimentos e contratações futuras. Quando executivos falam em recessão como risco, referem-se a cenário onde a redução da demanda e a contração econômica reduzem lucros corporativos.

O que acompanhar

Os próximos passos do governo serão determinantes. A divulgação da equipe econômica, especialmente quem ocupará o Ministério da Fazenda, representará primeiro grande teste de sinalização de rumo. Qualquer anúncio de medidas relativas ao orçamento, gastos públicos ou arrecadação será escrutinizado pela comunidade empresarial e pelos mercados.

As próprias circunstâncias econômicas com as quais o novo presidente se defronta podem funcionar como constrangimento natural que o pressiona em direção a algum tipo de ajuste. Alocar recursos em gastos sociais ou produtivos sem correspondente fonte de financiamento tende a depreciar a moeda, elevar juros e criar instabilidade macroeconômica que prejudica exatamente os investimentos privados que o país necessita.

Será importante observar qual será a reação dos mercados nos dias imediatos ao governo e se a comunicação de medidas econômicas será capaz de reverter as preocupações evidenciadas na queda inicial do EWZ. A credibilidade do governo junto a investidores será construída dia após dia através de sinalizações concretas e consistentes.

Principais pontos:

• O setor empresarial celebra a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro pelos ganhos institucionais, mas teme descontrole fiscal que poderia levar a recessão econômica.

• Queda de 19,6% do EWZ na noite do domingo refletiu reação dos mercados e expectativas de forte movimento negativo no início da semana.

• Escolha da equipe econômica, especialmente do ministro da Fazenda, será teste imediato da capacidade do novo governo de tranquilizar investidores.

• Executivos alertam que sinalizações claras de responsabilidade fiscal e nomes competentes e confiáveis são essenciais para evitar afastamento de capitais e cenário recessivo.

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de UOL Economia — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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