Mercado apostou errado e pode errar de novo se apostar num Lula radical
O fortíssimo e abrupto ajuste de posições no mercado financeiro, nesta segunda-feira (26), primeiro pregão depois da vitória do presidente Lula na corrida eleitoral de 2026, pode ser explicado por um antigo provérbio popular: "quanto maior a altura, maior o tombo".
Com base numa aposta que se mostrou equivocada, os operadores do mercado financeiro vinham impulsionando as cotações de diversos ativos para cima, como no caso da Bolsa de Valores, e para baixo, como na cotação do dólar e nas taxas de juros futuros.
Fichas demais na vitória eleitoral do candidato de oposição a Lula, o senador bolsonarista Flávio Bolsonaro, sem a devida base técnica e sem as necessárias cautelas, levaram os mercados a operar em terreno explosivo.
A reversão, contudo, também está sendo exagerada, permitindo prever um ajuste também mais rápido. A aposta de que Lula, em seu quarto e último mandato presidencial, manterá uma política econômica de estresse fiscal está na origem do derretimento dos mercados. Também nesta avaliação, os mercados podem estar errando mais uma vez.
Na noite deste domingo (25), nos discursos da vitória, Lula já deu sinais de que seu novo governo fará correções relevantes de rumo. É legítimo acreditar que essas correções serão amplas.
O espaço a seu vice, Geraldo Alckmin, político egresso do centro liberal, nas falas públicas pós-vitória, por exemplo, foi sinal simbólico mais do que eloquente do reconhecimento de Lula da necessidade de recompor, agora com mais firmeza, a frente ampla que o levou a vencer a eleição de 2022 contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de seu oponente em 2026, da qual Lula se distanciou ao longo de seu terceiro mandato.
Se gostam de apostar, os operadores do mercado deveriam agora considerar a hipótese da adoção por Lula de uma política econômica mais ativa na busca do equilíbrio fiscal — ou pelo menos da indicação clara de contenção de excessos e mitigação da trajetória explosiva da dívida pública.
Isso, por sinal, não seria novidade. Em 2002, quando se prenunciou sua vitória na eleição contra José Serra, os mercados desabaram, mas, já no primeiro ano de seu primeiro mandato, se reequilibraram, com resultados positivos e consistentes nos anos seguintes.
Já é episódio da História a publicação da "Carta aos Brasileiros" em que Lula prometia respeitar contratos e fazer um governo que, sem abandonar suas promessas de ampliação dos programas sociais, conduziria a economia sem os radicalismos que se poderiam esperar do líder sindical esquerdista.
A principal vantagem da continuidade de Lula à frente do governo é a de que, diferentemente de seu oponente, a história do político reeleito é muito bem conhecida. Enquanto com Flávio Bolsonaro o país daria um salto no desconhecido, com Lula se sabe razoavelmente bem o que virá pela frente.
Esse maior conhecimento de como Lula funciona permite prever até mesmo um novo Lula mais austero em termos fiscais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.