O Pix começa a olhar para fora do Brasil
O Banco Central avalia conectar o Pix a sistemas estrangeiros. A mudança vai além de pagar no exterior: busca fazer o dinheiro circular entre países com menos intermediários, custos e demora.
O Pix tornou os pagamentos instantâneos parte da rotina financeira brasileira. Mas o que acontece quando sistemas nacionais de pagamentos instantâneos começam a conversar entre si?
O Banco Central avalia conectar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. Segundo reportagem da Reuters publicada pelo Money Times , o relatório mais recente do BC menciona duas possibilidades em discussão: conexões bilaterais entre sistemas e a participação em estruturas multilaterais capazes de integrar diferentes plataformas de pagamentos instantâneos.
A discussão avançou em relação ao relatório de 2023, quando a autoridade monetária ainda tratava a integração do Pix com sistemas internacionais como uma possibilidade futura.
A distinção é importante. Ainda não existe uma rede internacional do Pix pronta para uso, nem os brasileiros passaram a ter automaticamente o mesmo sistema disponível em dezenas de países. O que está sendo estudado é a interoperabilidade: permitir que infraestruturas nacionais distintas consigam realizar pagamentos entre elas.
Se isso avançar, o efeito econômico pode ser maior do que simplesmente facilitar uma compra durante uma viagem.
O Pix encerrou 2025 com quase 80 bilhões de transações, alta de 25,7% em relação ao ano anterior, e movimentou mais de R$ 35 trilhões. Um dado ajuda a entender por que essa infraestrutura deixou de interessar apenas às pessoas físicas: 43% das transações realizadas no ano foram pagamentos de consumidores para empresas. Em 2020, essa participação era de apenas 6%, segundo dados do Banco Central citados pela Reuters.
O sistema, portanto, já ultrapassou a fase de simples transferência entre contas.
Essa escala também explica por que sua eventual conexão internacional merece atenção. Sistemas de pagamentos funcionam em rede: quanto maior a adoção e o número de usos, maior tende a ser sua utilidade para quem já participa e para novos usuários. O Banco de Compensações Internacionais (BIS) identifica esses efeitos de rede como uma característica relevante dos sistemas de pagamentos rápidos, premissa que fundamenta as projeções de expansão internacional detalhadas pelo Banco Central do Brasil .
O passo seguinte não é necessariamente exportar o Pix como produto brasileiro. Pode ser conectar infraestruturas que já existem em diferentes países.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em ndmais.com.br — o conteúdo pertence a ND+.