Casas Bahia se prendeu muito ao modelo de lojas físicas, diz Tozzi
As Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial, conforme fato relevante divulgado na noite de domingo (16).
A decisão foi tomada em razão da piora das condições financeiras da companhia, que enfrenta um cenário de juros elevados, crédito restritivo e endividamento crescente.
Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, avalia que os fatores macroeconômicos, embora relevantes, afetam igualmente todos os concorrentes do setor.
Para ela, o problema central da Casas Bahia é estrutural.
“No caso específico das Casas Bahia, o modelo de negócio se afastou do modelo dos principais concorrentes”, afirmou.
Segundo a especialista, a empresa ficou excessivamente ancorada no formato de loja física, cresceu pouco nos canais digitais e inovou de forma insuficiente.
Leia Mais Ações das Casas Bahia desabam 30% após pedido de recuperação judicial Casas Bahia: Empresas ligadas ao grupo também vão a recuperação judicial Por que as Casas Bahia pediram recuperação judicial? Veja o que empresa diz Entre a recuperação extrajudicial anunciada em abril de 2024, no valor de R$ 4,1 bilhões, e o atual pedido de recuperação judicial , Tozzi observa que houve pouca transformação no modelo de negócio.
“Você viu, sim, muitas iniciativas de redução de custo, você viu iniciativas no modelo de logística, mas a agressividade necessária para que o modelo se encaixasse nos trilhos não existiu”, disse.
A especialista destacou ainda que, em abril de 2025, as notícias sobre a companhia giravam em torno de disputas no Conselho de Administração e discussões sobre a conversão de debêntures em participação acionária.
A companhia fechou quase 300 lojas e demitiu cerca de 2 mil pessoas na semana anterior ao pedido de recuperação judicial.
Para Ana Paula Tozzi, essas medidas, embora necessárias, não serão suficientes para reverter a situação.
“Não será suficiente você fechar lojas e fazer demissões para buscar esse fôlego.
A empresa vai precisar ter fôlego para investir no seu processo de transformação de negócio”, afirmou.
A especialista acrescentou que as demissões realizadas antes do pedido de recuperação judicial geram dívidas trabalhistas passíveis de parcelamento, o que pode ter sido parte da estratégia da companhia para organizar seu fluxo de obrigações.
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