Mulher passa 40 anos trabalhando sem salário e é resgatada em operação
A Operação Resgate VI encontrou 479 trabalhadores em condições análogas à escravidão durante ações realizadas em todo o Brasil entre 1º e 31 de agosto. Entre os resgatados, havia 75 mulheres, 13 crianças e adolescentes e 66 migrantes de países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.
A força-tarefa realizou 231 ações fiscais e reuniu equipes do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal (PF).
A maior parte das ações ocorreu no meio rural, que respondeu por 57,5% das fiscalizações e concentrou 292 trabalhadores resgatados. No meio urbano, foram 178 pessoas retiradas de condições análogas à escravidão. Já no trabalho doméstico, 14 empregadores foram fiscalizados e nove trabalhadores foram resgatados.
Entre as atividades com mais vítimas aparecem a construção em geral, com 85 trabalhadores, e o cultivo de café, com 53. Também foram encontrados casos no cultivo de cebola, com 47 resgatados; no cultivo de batata-inglesa, com 44; em outras lavouras temporárias, com 43; e na coleta de produtos não madeireiros em florestas nativas, com 29.
Os dados mostram a concentração das situações identificadas em atividades ligadas principalmente à produção agrícola, ao extrativismo e à construção civil.
Um dos casos encontrados durante a operação ocorreu na Zona Leste de São Paulo. Uma mulher de 51 anos foi resgatada após viver na casa de uma família desde os 10 anos.
A partir de aproximadamente 11 anos, ela passou a realizar os serviços domésticos da residência, como lavar o quintal e a louça, arrumar a casa, preparar refeições, passar roupas e cuidar dos familiares dos empregadores.
Segundo a fiscalização, ela permaneceu por aproximadamente 40 anos sem registro formal e sem receber salário regularmente. A mulher também teria trabalhado em uma clínica pertencente a um integrante da família, igualmente sem registro.
Diante das irregularidades identificadas, os auditores-fiscais emitiram o ato administrativo de resgate e retiraram a trabalhadora da residência onde vivia. O valor das verbas trabalhistas devidas ainda está sendo apurado.
A Região Sudeste concentrou o maior número de trabalhadores retirados dessas condições, com 267 resgates. Desse total, 208 ocorreram em Minas Gerais.
Em uma fazenda na zona rural de Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro, trabalhadores foram encontrados em condições precárias durante a colheita manual de batatas. A maioria era formada por senegaleses e migrantes de Burkina Faso.
Segundo a fiscalização, os trabalhadores estavam sem registro em carteira, não tinham acesso adequado a instalações sanitárias e água potável e não recebiam equipamentos de proteção individual. Também foram identificados problemas relacionados à jornada, ao transporte e às condições de saúde e segurança.
Os empregadores flagrados foram obrigados a interromper as atividades e rescindir os contratos dos trabalhadores, com a formalização retroativa dos vínculos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.