Peixe antes desprezado melhora renda de mulheres da pesca no Rio
Uma culinária criativa pode movimentar a economia de uma comunidade.
É o que reflete a experiência de mulheres da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM) , da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, cujas vidas mudaram a partir de saberes tradicionais que transformaram a forma de renda local.
No centro dessa história está um peixe que, até então, não era valorizado comercialmente por pescadores e pescadoras: a ubarana.
É da Cozinha das Caranguejeiras, localizada na sede da ACAMM, que saem estrogonofe, escondidinho, almôndegas, bolinhos, coxinhas, croquetes, quibes e risoles, entre outras receitas feitas com a ubarana.
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A técnica utilizada pelas mulheres para processar a carne do peixe, baseada nos saberes transmitidos de geração em geração, agregou valor à ubarana em pratos comercializados durante almoços especiais, organizados com a venda de convites à comunidade, visitantes, grupos de turistas, de pesquisadores e de empresas, e ainda por meio de encomendas.
“A gente pega muitos turista, pessoas de faculdade, ou que estão estudando a área ambiental e vêm conversar com a gente.
São empresas que passam por lá, pessoas que têm interesse em conhecer o nosso trabalho e vão lá almoçar com a gente.
Nisso, a gente vai fomentando as mulheres caranguejeiras”, conta Márcia Regina, pescadora durante 40 anos e agora aposentada da atividade.
Com a aprovação em um edital do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), a Cozinha conquistou um endereço físico provisório em 2021, quando o recurso foi usado no aluguel de um espaço.
Três anos depois, após a associação ser contemplada em um outro edital, transferiu-se para um lugar maior na ACAMM.
Aos 62 anos, atualmente auxiliar geral na Cozinha das Caranguejeiras e secretária da ACAMM, Márcia Regina vê o trabalho das mulheres na associação também como uma ação social.
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